o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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domingo, 17 de setembro de 2006
Prometo que é o último!!!
Apenas aproveitando para postar aqui a versão integral de um texto meu que foi publicado no site de cultura da Faculdade Cásper Líbero. E prometo que este é o meu último post sobre a peça Os Sertões (afinal, é o sexto em um mês).

Atuar pra poder voar
Por Maurício Alcântara, do grupo de teatro Sagomadarrea

Está chegando a primavera. Na Grécia antiga, este era o momento de realizar grandes festas de celebração a Dionísio, deus do vinho e protetor do teatro. Graças a algumas das melhores companhias teatrais de São Paulo, aqui não é muito diferente, e um dos lugares onde estas festas já começaram é Teatro Oficina, ilha de resistência cultural em um quarteirão onde o Grupo Silvio Santos deseja construir um shopping center.

No dia 14 de agosto o edifício projetado por Lina Bo Bardi completava 45 anos. O público se aglomerava na porta aguardando o início do espetáculo, quando foi surpreendida por um elenco gigantesco que abria as imensas portas, vinha até a rua com sua batucada catártica, cantando e chamando a todos para entrarem juntos e dançando. Tratava-se do início de "Os Sertões: A Terra", primeira das cinco partes que compõem a adaptação do livro de Euclides da Cunha para o palco. Ou melhor, para o palco não: para o terreiro eletrônico do Oficina. Mais que isso, era a abertura de uma temporada histórica: após seis anos de trabalho árduo, temporadas lotadas e muito sucesso, pela primeira vez entram em cartaz ao mesmo tempo todos os cinco espetáculos.

Talvez eu devesse ter escrito este texto sobre Os Sertões quando o projeto foi iniciado, há seis anos. Talvez a esta altura falar da obra, do trabalho do Oficina e sobretudo da genialidade de José Celso Martinez Corrêa seja chover no molhado. Mas o fato é que estou deslumbrado o suficiente para ignorar tudo isso e recomendar fortemente um espetáculo tão grandioso e empolgante. Além disso, este é o melhor momento para acompanhar a saga de Antônio Conselheiro e da guerra de Canudos: não será preciso aguardar um ano para assistir à próxima parte.

Mas para não ser pego de surpresa, quem quiser assistir à hipnotizante montagem precisa esquecer todos os conceitos e referenciais de teatro que já viu na vida. Absolutamente nada do que acontece lá dentro é convencional, até as horas passam de maneira diferente. Esqueça as cadeiras acolchoadas, lugares numerados, palcos italianos. Use tênis, roupas confortáveis e de preferência não muito novas, pois há chances de você se sujar ou se molhar. Não conte com a tradicional e paulistana pizza pós-teatro, porque você vai sair no meio da madrugada e já estará tudo fechado. E o principal: vá preparado para interagir com os atores o tempo todo. E não tenha medo: eles até mordem, mas não machucam ninguém.

Certamente essa descrição é apavorante para a maioria das pessoas que não está acostumada com um teatro tão vanguardista - eu mesmo demorei para assistir ao primeiro espetáculo por puro receio. Mas quem vencer este medo e ousar pisar naquela passarela ao menos uma vez, certamente ficará enfeitiçado por aquele mundo catártico e orgiástico, e vai querer voltar para ver todas as cinco peças - talvez até mais de uma vez. Basta entrar de coração aberto e se entregar para aquele teatro visceral, e com certeza vai sair caminhando nas nuvens.
Leia também meus textos para cada uma das partes da peça:
Os Sertões - A Terra
Os Sertões - O Homem I
Os Sertões - O Homem II
Os Sertões - A Luta I
Os Sertões - A Luta II
Maurício Alcântara | 12:25

Comentários:
Que chique, hein.. rs
Anonymous Anônimo | 17 setembro, 2006 14:18  
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