o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2006
O Assalto

Já falei aqui antes que eu adoro a precisão das sinopses do Guia da Folha, que chegam a assustar de tão suscintas que são. Por exemplo, a sinopse referente a “O Assalto”, peça de Zé Vicente em cartaz nos Satyros e produzida pelo Teat(r)o Oficina: diz basicamente que trata-se de um bancário que se apaixona por um faxineiro. E mesmo assim dá 4 estrelas para a peça (o máximo para a Folha são 4 estrelas), e quem não conhece muito sobre teatro fica imaginando “por que cargas d’água uma peça com uma sinopse tão banal pode ter tantas estrelas?”.

Bem, a peça fala disso sim, mas esse é o detalhe menos importante. Na verdade, fala sobre o mundinho medíocre dos bancários (mas projeta-se a todo o universo corporativo), as relações de trabalho ocas e superficiais, a banalização do indivíduo em função da produtividade desenfreada e de um “bem comum” que a ele não faz diferença alguma aos indivíduos. De forma geral, dilacera esse conceito tão sólido em nossa sociedade de que as pessoas jovens precisam se dedicar integralmente a seus trabalhos, nem que para isso tenham que abdicar de suas vidas. E então ficam velhas, não têm o que fazer e se tornam velhinhos proativos que passam o resti da vida lembrando “dos bons tempos do banco”. (A propósito, odeio a palavra proativo, mas palavra mais adeqüada neste contexto, impossível.)

Só isto já seria o suficiente para uma ótima peça, mas o texto vai muito além. Fala ainda do conflito dos universos de dois personagens tão distintos (o bancário e o faxineiro), sobre o preconceito e a incapacidade das pessoas de lidarem com o diferente, traz esboços de críticas sociais, faz provocações contundentes ao público intelectual e à classe teatral (que são aqueles que compõem integralmente a platéia).

Enfim, a peça é excelente. Nos mostra o quão medíocre o mundo corporativo e a sociedade workaholic se mantiveram desde 1969, não tendo evoluído absolutamente nada até os dias de hoje. E isso nos leva à conclusão de que o texto realmente é grandioso, e que quase 40 anos depois a ferida em que Zé Vicente colocava o dedo ainda não parou de sangrar.

E ao sair do teatro, é impossível não fazer comparações com as megalomaníacas produções de Os Sertões, em cartaz no Oficina. Enquanto n’Os Sertões um o que está em evidência é a encenação, a grandiosidade, o coletivo, sempre absolutamente alegórico, em O Assalto ocorre o inverso: a montagem focada e precisa nos mostra que preocupação está nas pequenas nuances, essencialmente nos dois atores em cena, Haroldo Costa Ferrari e Fransérgio Araújo, que têm um desempenho fantástico em cena.
Maurício Alcântara | 12:26

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