Estréia na próxima quinta-feira a nova produção de Cacá Diegues, "O maior amor do mundo", com José Wilker e grande elenco. A sinopse diz que é mais um filme como os outros que têm histórias de amor ambientadas no Rio de Janeiro e conta com música de Chico Buarque na trilha sonora. Não sei se vou assisti-lo, mas o ponto aqui é outro.
A ficha técnica traz um nome estranho na co-produção: RB Cinema I Funcine. Trata-se de um fundo de investimentos gerido pela Rio Bravo Investimentos, pelo BNDES e pela Aracruz Celulose. Com isso, "O maior amor do mundo" é o primeiro filme financiado por esse fundo criado de acordo com as regras do Funcine - Fundo de Investimento da Indústria Cinematográfica Nacional.
O Funcine foi criado na Medida Provisória 2228/01 e implementado por uma instrução normativa da Ancine. As instituições financeiras podem criar fundos para captar o dinheiro de acordo com as regras e sob fiscalização da CVM. Além da nova produção do Cacá Diegues, estão sendo feitos com o dinheiro do RB Cinema I: "Querô", de Carlos Cortez, e "O dia em que meus pais saíram de férias", de Cao Hamburger.
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Errata: o nome correto do filme de Cao Hamburger é "O ano em que meus pais saíram de férias". Na verdade era para se chamar "Minha vida de goleiro", mas acharam que esse título espantaria o público feminino. Controvérsias à parte, tem uma resenha
aqui.)
Na verdade, o RB Cinema I é o primeiro a ter investido na produção de uma obra. Sei que a BB DTVM tem um chamado BB Cine Produção e Distribuição que captou 2,4 milhões de reais no ano passado e atuou na distribuição de "Cabra cega", "O coronel e o lobisomem" e "Irma Vap". O Banco Bonsucesso lançará o seu em 2007, mas não encontrei muitas informações. Os recursos conseguidos através de um Funcine também podem entrar na reforma e construção de salas de exibição.
Não é uma idéia necessariamente nova. Em 2004 investidores puderam comprar cotas de dois mil reais do filme "A justiça dos homens", de Cris D'Amato, e que começou a ser rodado agora em Macaé com o ator Eduardo Moscovis. Foram distribuídas duzentas delas e o resultado infelizmente foi desanimador.
Enquanto isso, na Argentina, o milionário Eduardo Constantini Jr., colecionador, cinéfilo e dono do fantástico Malba (Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires) associou-se aos ex-donos da Miramax para criar um fundo com o mesmo objetivo. O capital é de cinqüenta milhões de dólares e será usado no financiamento de catorze longas produzidos na América Latina.
Acho genial, pois desde tempos imemoriais os mercados são uma ótima alternativa na arrecadação de dinheiro. Alguém pode reclamar e dizer que os fundos só participarão daquilo que certamente dará lucro, mas esse é o preço. Ninguém investe para perder.