Com "O ano em que meus pais saíram de férias", Cao Hamburger mostra a ditadura militar brasileira de uma forma especial, através dos olhos de Mauro, um garoto filho de militantes comunistas. Vendo-se obrigados a fugir, deixam o menino com seu avô, judeu morador do Bom Retiro, em São Paulo. Não é exatamente uma novidade. Idéia parecida já tinha sido usada, por exemplo, no chileno "Machuca", dirigido por Andrés Wood.
Naquele filme, um garoto de classe média torna-se amigo de um pobre e, a partir dessa premissa, conhece um pouco das disputas políticas e diferenças sociais no Chile de Pinochet. Essa proximidade não é só com "Machuca", mas com muitos filmes latinos atuais que dão um tratamento singelo aos temas abordados, quase sempre em histórias protagonizadas por crianças.
O Bom Retiro retratado é um lugar onde judeus e italianos se encontram e convivem em harmonia. De certa maneira, o bairro é muito parecido com isso até hoje, mesmo depois de sua descaracterização. Não estamos mais nos anos 70, mas, ao andar por aquelas ruas, é fácil ver pessoas usando solidéus e falando outras línguas.
Posso dizer que "O ano..." é um filme de formação e, assim como nos romances desse gênero, acompanhamos o crescimento de alguém. No caso, Mauro começa a descobrir todas aquelas coisas da pré-adolescência, como conflitos e namoradas, num ambiente diferente do que estava acostumado. Decide se tornar goleiro no futebol e, metaforicamente, é nisso que se transforma ao ter de se defender de todos os problemas pelos quais começa a passar.
Comentários:
Ia escrever sobre, mas ia ficar redundante e repetitivo, então aí vai meu comentário: achei um grande filme.
A idéia pode não ser a mais original, mas a sutileza da narrativa é cativante, e sobretudo, a construção de cenários, ambientes e enquadramentos é caprichadíssima.
essa é a idéia. é um bom filme, mas sem nenhuma novidade. "finalmente conseguimos fazer um filme argentino", dizem alguns.