Não sei porque, mas toda vez que via o nome do filme pensava "ué, mas agora ele é diretor?". Quem dirigiu "O labirinto do fauno" foi Guillermo del Toro. Então tá explicada a confusão com os nomes. Ele é da safra atual de diretores mexicanos, que conta também com os expoentes Alejandro Gonzáles Iñárritu e Alfonso Cuáron.
O filme é uma fábula cheia de alegorias, mitologias e monstros. Se fosse resumi-lo em uma frase, seria "quando Harry Potter vai à guerra". Sim, porque todo o mundo de magia existe em conjunto com a guerra civil espanhola. Ofelia, uma garota de dez anos, vai com sua mãe grávida ao encontro de seu padastro, militar das forças franquistas, pois ele deseja estar perto quando seu filho nascer.
Ofelia é leitora ávida de contos de fadas e acredita na existência desses seres. Num dia, ela entra no labirinto que existe ao lado da casa onde está com sua mãe, o padastro e os militares e encontra um fauno, ser mitológico meio homem e meio animal. Ela fica sabendo que é uma princesa, mas que para voltar ao seu mundo tem de passar por três provas. Essa é a senha para conhecermos todo tipo de coisa nojenta e surrealista que pode viver junto das fadas.
É interessante peceber que em nenhum momento podemos ter certeza se os acontecimentos do outro mundo são reais ou se são apenas fruto da imaginação da garota. Pode ser que ela realmente seja uma princesa, mas também pode ser que, como em "A vida é bela", ela apenas esteja fantasiando numa tentativa inconsciente de ignorar a guerra. No filme de Roberto Benigni o pai cria um mundo diferente para o filho, enquanto aqui a própria Ofelia se encarrega do trabalho -- baseada em tudo que já leu.
Esse é um tipo de filme bastante específico, daqueles que você pode não gostar pelo simples fato de não se interessar por histórias infantis. Os personagens humanos são fracos, como era de se esperar de uma fábula, mas algumas das criaturas fantásticas são muito boas. E a censura é dezoito anos, veja só. "Crônicas de Nárnia" é um péssimo exemplo de filme-fábula, ao contrário deste "El laberinto del fauno".
(O prêmio de destaque na exibição vai para a senhora que se sentou na fileira da frente. Em dado momento, a garota ao seu lado viu as horas no celular. Levou um grito na orelha: "a luz do seu celular me incomoda", esbravejou a senhora. Em seguida, não satisfeita, bateu na menina com sua bolsa. Foi tranqüilizada com gritos que pediam silêncio.)