A Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) anunciou que iniciará processos contra vinte usuários brasileiros de softwares para troca de arquivos. A ofensiva mundial começou na Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). "Queremos combater o roubo do direito autoral e promover o legítimo uso da música pela internet", disse seu presidente, John Kennedy.
Paulo Rosa, diretor da ABPD, contou que a intenção é educar pais e filhos sobre a pirataria de música na internet. "As pessoas têm que entender o que é direito à propriedade. Não vejo diferença entre a pessoa que troca arquivos gratuitamente pela internet e outra que entra numa loja e rouba um CD", falou Kennedy. Pelo jeito, o objetivo é educar mesmo, já que as pessoas "têm que entender o que é direito à propriedade". Somos todos uns ignorantes e ladrões.
O faturamento das gravadoras brasileiras caiu pela metade desde 2000, segundo a IFPI. Rosa explicou que o aumento das vendas de computadores e o crescimento do acesso à internet por banda larga contribuem para o fato. Provavelmente ele também acha que uma solução eficiente é a proibição do uso de computadores.
Agora a IFPI quer que os usuários baixem suas músicas apenas através dos 350 sites considerados legítimos, sendo que dez deles atuam no Brasil. Engraçado. Há alguns anos a mesma IFPI dizia que baixar as canções era um crime, que a única forma legal de se conseguir as faixas seria comprando o CD etc. Os tempos, pelo jeito, mudaram.
É fato sabido que os artistas não ganham tanto com as vendas de CDs. O faturamento fica, em sua maior parte, nas gravadoras e os músicos levam a grana quando fazem shows. Portanto podemos considerar falácia a idéia de que comprando música legalizada nós estamos ajudando o artista. Isso só é verdadeiro quando vamos ao show do cara.
Você pode se perguntar sobre as pessoas que trabalham na produção dos discos. Eu respondo que eles encontram trabalho também quando o artista produz um CD de forma independente. Ou posso mudar o discurso fazendo outra pergunta: o que aconteceu com os trabalhadores das fábricas de vinil? Ah, foi a evolução tecnológica, não é mesmo?
Parece ser muito difícil para as gravadoras entenderem que seu modelo ficou pra trás. As pessoas não querem ser obrigadas a levar dez músicas que não são de seu interesse para ficar com apenas duas ou três que acham boas. Antes isso não era claro pois não existia outra opção e, veja só, tudo era ótimo. Não era? Talvez para aqueles que tinham dinheiro para comprar os CDs.
Outro ponto interessante a se discutir é a influência que a distribuição de música na internet teve para a divulgação dos artistas. Hoje conheço muito, muito mais bandas que há anos atrás. Sem o MP3 eu jamais teria ouvido metade dos produtores de música eletrônica que ouço. Talvez ficasse à mercê dos gostos (bastante duvidosos) das gravadoras. E talvez seja isso mesmo que elas sempre tenham defendido.