Outro dia estava indo pra faculdade e passava, como sempre, em frente ao Museu Brasileiro de Escultura, na avenida Europa. No ônibus um casal comentava qualquer coisa sobre o fim do mundo e era impossível não prestar atenção na conversa dos dois, que praticamente gritavam.
Naquela semana o artista plástico Eduardo Srur tinha uma intervenção no MuBE: antenas foram colocadas sobre o teto da laje central do pátio para simbolizar o papel do artista "como antena da sociedade". "O pior é que o governo paga pra eles fazerem isso", disse o homem daquele casal que gritava. É o que pensa a sociedade.

À parte disso, quero falar um pouquinho sobre o trabalho do Srur, que conheço desde 2001. Na verdade, a idéia é falar sobre as intervenções que ele já fez ou pretende fazer em São Paulo. Uma delas muita gente viu no esqueleto de concreto do Hospital da Mulher, na Dr. Arnaldo: várias barracas de acampamento coloridas penduradas nos vãos da construção. Essas barracas da obra "Acampamento dos anjos" eram iluminadas à noite, criando uma imagem bonita.
Outras duas bem recentes foram bastante comentadas. São "Atentado", que consistiu em explodir balões com tinta sobre outdoors (ótimo tema pra discussão, agora que esse tipo de mídia externa foi proibido em São Paulo) e "Âncora", quando o Monumento às Bandeiras foi ancorado ali em frente ao Ibirapuera.

Os projetos futuros são muito interessantes e devem causar no mínimo uma reportagem no SPTV. O mais bacana deles, na minha opinião, é o "Caiaques". Provavelmente neste mês vários caiaques coloridos serão colocados em quatro quilômetros do rio Pinheiros. Outro do qual gostei é o "Escora". Nele, o MASP será escorado por uma série de varas de madeira. Divertido.