I don't know where I'm going
I don't want to see
I feel the world below me
Looking up at me
Leave the sun behind me
And I'll watch the clouds as they sadly pass me by
And I'm in perpetual motion
And the world below doesn't matter much to me
Depois do cinema trash (com "Serpentes a bordo"), fui ver "Amantes constantes", novo filme do diretor francês Philippe Garrel -- uma resposta a "Os sonhadores", de Bernardo Bertolucci. Ambos falam, claro, do que aconteceu em 1968 na França.

Não que Garrel não tenha gostado da obra do colega italiano, muito pelo contrário. Ele quis mostrar aquilo que ele acha importante e que não teve destaque na história dos três jovens que passaram a revolução com brincadeiras sexuais dentro de casa. Para deixar a idéia de resposta bem clara, o diretor convidou seu filho, Louis Garrel, para assumir o papel de François, o poeta de vinte anos que quer mudar o mundo. Louis era um dos três jovens no filme de Bertolucci.
Não há exatamente uma história e o que existe é a idéia do refluxo pós-revolução e tudo que ele traz. Nas três horas o diretor tenta mostrar o lado mais pessoal dos conflitos que surgiram e, para isso, usa o círculo de amizades de François. Muitas cenas são longas, com a câmera parada, mostrando pouco movimento e dando oportunidade para pensar. No fim você não tem as respostas para os questionamentos, mas apenas algumas poucas certezas sobre o comportamento humano.
A fotografia é belíssima. É uma pena que as legendas brancas sobre fundos brancos fiquem invisíveis e
je l'étudie, mais je parle seulement un peu de français, sabe como é?
De qualquer maneira, ainda prefiro "Os sonhadores" porque tinha todo aquele background cinematográfico e o ar parisiense. A linda Clotilde Hesme ajuda no cheiro de nouvelle vague, mas nada como o charme de Eva Green. Se te dá preguiça só de pensar em ver algo em preto e branco durante três horas, assista ao menos à ótima
cena da dança animada pela música da epígrafe -- "This time tomorrow", do Kinks.