Terça-feira fui assistir à peça
Medusa de Rayban, escrita por Mário Bortolotto, montada pelo grupo Teatro da Curva e que está em cartaz lá no Espaço dos Satyros Um. Bem, na minha opinião a peça não é das melhores de Bortolotto, mas é possível se divertir bastante durante a apreentação. Mas para isso, é importante conhecer um pouco o trabalho do Mário.
O cara é dramaturgo e fundador da companhia Cemitério de Automóveis, e já deve ter mais de 50 peças escritas. Quase todas (senão todas) se referem a personagens e situações do submundo, "underground". Suas referências são basicamente histórias em quadrinhos, cinema alternativo, escritores “malditos” e muita música.
Suas montagens possuem produções minimalistas, em que a força está toda no texto, com apoio de trilha sonora e iluminação, mas com pouquíssima cenografia, pouquíssimo figurino e nenhuma firula. O elenco do Cemitério é bastante irregular: vai desde a impecável e fantástica Fernanda D’Umbra (que é casada com Bortolotto) até atores bem fracos movidos pela pura vontade de participar (passando, claro, pelo próprio Bortolotto, que como ator é um ótimo dramaturgo, hehehe).
Quem lê esta descrição fica imaginando que o Cemitério de Automóveis é uma companhia bem esquisita, e realmente é. Assistir a um espetáculo deles é sempre uma caixinha de surpresa: você pode sair do teatro tendo gostado do que viu, como pode sair tendo odiado. E sempre vai ter quem goste e quem odeie. Particularmente, gosto bastante da linguagem deles. Mas há uma coisa que é bastante peculiar: normalmente, são pouquíssimas companhias que conseguem trabalhar bem com os textos de Bortolotto.

Voltando à
Medusa, o Teatro da Curva se deu bem com o texto, que fala basicamente sobre o universo dos matadores de aluguel e faz uma analogia bem-humorada da violência na nossa sociedade do espetáculo. O resultado final ficou bem bacana, sobretudo graças às boas atuações e à ótima apropriação do texto, que como comentei, definitivamete não é dos melhores de Bortolotto. Mas como na maioria de suas peças, o charme está nos personagens e nas pequenas sacadinhas do dramaturgo.
Resumindo, não é daquelas peças que se saia do teatro recomendando aos amigos, afinal as chances das pessoas saírem do teatro achando uma bomba são muito grandes. Mas há também o caso do expectador entrar no universo do texto, como eu fiz. Neste caso, há grande probabilidade de se divertir bastante.