o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

outros blogs
breve-brevíssimo
boulevard des capucines
cinismo cotidiano
depósito
diário de olinda
diário do porto
me exorcisa
pingüim de cócoras
sagomadarrea
subverso
a vida en-cena
yudsen

mais recentes
30ª Mostra Internacional de Cinema
Lê a imprensa
Aquela velha discussão
Inocência
Coleções
O Avarento
Reparação
Dois comentários
O Quarto de Isabella
Coletivo lê a imprensa

arquivos
junho 2005
julho 2005
agosto 2005
setembro 2005
fevereiro 2006
março 2006
abril 2006
maio 2006
junho 2006
julho 2006
agosto 2006
setembro 2006
outubro 2006
novembro 2006
dezembro 2006
janeiro 2007
fevereiro 2007
março 2007
abril 2007
maio 2007
agosto 2007
setembro 2007
outubro 2007
novembro 2007
dezembro 2007
janeiro 2008
fevereiro 2008
março 2008
abril 2008
maio 2008
junho 2008

 
domingo, 22 de outubro de 2006
O céu de Suely
O nome dele é Karim Aïnouz. Apesar disso, é brasileiro do Ceará. Seu primeiro filme, "Madame Satã", foi bem recebido e agora Aïnouz está lançando o segundo, "O céu de Suely". Antes do início da sessão, ele contou que depois de "Madame Satã" decidiu fazer um filme menos urbano, meio que ao ar livre. O resultado foi belíssimo.

Belíssimo desde o começo, com imagens da protagonista Hermila/Suely brincando com seu namorado Mateus e narrando sobre sua gravidez. Ela decide sair de São Paulo e voltar para sua cidade-natal, no interior do Ceará, e fica à espera do amado. Como era de se esperar, ele não vai. Hermila fica muito desapontada, precisa de dinheiro para fazer algo da vida e resolve rifar o corpo.

Por vinte reais a pessoa concorre a "uma noite no paraíso". Uma receita explosiva: moradora vai para a cidade grande, volta para o sertão com um filho e vende o corpo. Cidade do interior, machista e conservadora por excelência, não combina com moça vinda da metrópole. Em certo momento, a mãe de Mateus explica para Hermila porque ela não deve ficar com raiva por seu filho tê-la abandonado: "Ele é um moço de vinte anos".

Alguns momentos de silêncio, cenas extremamente bonitas e cores. Há sempre uma imensidão azul do céu e algumas nuvens contrastando com o alaranjado da terra, resultando em planos lindos. E Hermila, que agora se chama Suely, diz que não é prostituta pois não vai dormir com todos. Fez a rifa para dormir com apenas um homem.

Ela volta mudada, com pelo menos um resquício visível da vida na capital, pois seu cabelo bicolor chama atenção na pequena Iguatu. Suas amigas e o cotidiano da cidade continuam os mesmos e inclusive fica uma certa sensação de ingenuidade na vida daquele local cujas poucas influências externas são mostradas através das músicas americanas em versões brasileiras. Como se a protagonista fosse agora um corpo estranho, ela se vê obrigada a sair da cidade e voltar para o Sul.

Os dois filmes de Karim Aïnouz são dos melhores nos últimos anos e ele comprova que é a maior aposta entre os novos cineastas do país. Este "O céu de Suely" é mais que recomendado.
Elder Costa | 00:30

Comentários:
Postar um comentário