Um homem jovem está no melhor momento da carreira. É bonito, namora, chama atenção, é um pouquinho egoísta e hipoteticamente invencível. Descobre ter câncer e que o tempo médio de vida restante em casos como o seu é três meses.

François Ozon disse que a morte é uma obsessão antiga, que era fascinado pela idéia quando criança. Resolveu fazer uma trilogia sobre o tema, da qual "O Tempo que Resta" é o segundo filme. Romain é o personagem do parágrafo e da foto acima.
A fuga do clichê é quase impossível numa história que trata da proximidade da morte e nessa produção não é diferente. Claro que não temos um personagem chorando (o tempo todo) pelos cantos, abraços ou frases de gosto duvidoso, mas o contraponto entre morte e nascimento está lá, pulsante.
Esse contraponto é o mote principal e, dele, surge uma relação interessante entre alguns personagens. Fora isso, Romain é perseguido por lembranças da infância e por um certo sentimento de "preciso resolver algumas pendências". A coincidência é que estava pensando nisso -- no que eu gostaria de fazer caso descobrisse que teria pouco tempo de vida -- nessa semana. Claro que também só me lembrei de clichês.