Sexta-feira passada me deu vontade ver o Cirque du Soleil. Obviamente era tarde demais, os ingressos caríssimos já estavam esgotados havia semanas. Então decidi assistir ao espetáculo
Stapafúrdyo, em cartaz no Circo Roda Brasil, lona itinerante que está instalada até outubro no Memorial da América Latina. Minha primeira surpresa positiva foi o lugar. Sem a sofisticação que certamente deve haver no circo da trupe de Montréal, a estrutura é muito boa. Na entrada, barracas de pipoca, algodão doce e outras guloseimas, tudo a que um circo tem direito, e com equipe de apoio abundante e bem organizada. Dentro da lona, uma estrutura ótima que permite uma boa visibilidade de qualquer ponto da platéia, tudo muito arrumado, tudo muito novo, tudo muito colorido.
Assim como o Cirque du Soleil, a proposta do espetáculo é distanciar-se cada vez mais dos velhos e decadentes circos familiares em que famílias (sobretudo do leste europeu) usam animais exóticos como atração e passam a arte circense de pai para filho como se fosse um segredo familiar. Agora a proposta é apresentar tudo o que há de mais espetacular e mágico que o homem consegue fazer com seu corpo e sua capacidade de fazer a platéia rir, através de muita criatividade, muita técnica e muito treino. Em outras palavras, independente de laços familiares, o que conta é o talento.
Em Stapafúrdyo, concebido pelo genial grupo teatral Parlapatões Patifes e Paspalhões e pelo grupo Pia Fraus, famoso por seus bonecos infláveis gigantes, a platéia embarca em um ótimo espetáculo com o melhor que há no circo, de forma abslutamente atual. Acrobatas e trapezistas talentosíssimos, ótimos números de dança de rua, banda ao vivo, números de manipulação de bonecos, bonecos gigantes, e o melhor de tudo: as palhaçadas por conta dos fabulosos Parlapatões. Para mim, o ponto máximo da noite foi o momento em que eles fazem uma brincadeira em alusão aos shows de águas dançantes presentes nos velhos circos tradicionais. Simplesmente de passar mal de tanto rir.
Mas antes de recomendar o espetáculo a qualquer pessoa, é bom sempre alertar com um clichê totalmente válido: para se divertir no circo, é preciso abrir mão da sisudez e do senso crítico que nós adultos costumamos criar. Quem conseguir abrir mão destas máscaras por um pouco menos que duas horas, certamente terá duas horas de pura diversão.