Terminei de ler hoje de madrugada (não tenho conseguido dormir com facilidade nas últimas semanas) o segundo livro do Jonathan Safran Foer chamado "Extremamente Alto & Incrivelmente Perto". O primeiro livro dele, "Tudo se Ilumina", fez tanto sucesso que rapidamente foi vertido para o cinema. Aos 25 anos, o escritor judeu novaiorquino foi tido como a salvação da literatura contemporânea americana, bem como os Strokes foram da música, digamos assim.
Pessoas nessa situação passam pelo mesmo problema das bandas: a maldição do segundo álbum ou, no caso, do segundo livro. Já que o primeiro era tão maravilhoso, fazer outro melhor ou no mínimo parecido seria uma tarefa difícil. "Tudo se Ilumina" era cheio de sacadinhas geniais, mudanças de foco espacial e narrativo, idas e vindas no tempo e todo tipo de artifício revolucionário ou quase isso.
Com "Extremamente Alto...", Foer, agora aos 28, continua a usar os maneirismos e mais: ele brinca visualmente através de fotos, páginas riscadas, páginas em branco, páginas com uma frase, páginas com letras apertadas até ficarem ilegíveis etc. Às vezes pode parecer vontade de mostrar o quão criativo ele é e chega até mesmo a encher o saco. Isso não importa muito.
O livro conta a história de Oskar, um garoto prodígio de nove anos que perdeu o pai no atentado ao World Trade Center. Após encontrar uma chave dentro de um envelope, ele roda Nova York em sua busca pela fechadura. Assim vamos entrando cada vez mais na mente do menino e conhecendo suas manias, conflitos e dores. Li por aí que o personagem é artificial demais. Particularmente o achei bastante verossímil com suas invenções, idéias e pensamentos -- considerando que se trata de um menino muito inteligente, na pré-adolescência e com a mente em ebulição.
Alguns críticos falaram mal do livro pois o acharam exagerado no uso dos malabarismos, outros até compararam Oskar com Holden Caulfield -- o protagonista do odioso "O Apanhador no Campo de Centeio", um dos piores já lidos por mim -- e disseram que Foer está se inspirando em idéias de outros autores. Uma forma simpática de se dizer "está copiando personagens e técnicas".
Continuo inconformado com o modo que Foer passa os sentimentos através da escrita. Certas passagens são absolutamente clichê, mas são igualmente maravilhosas: o relato sobre o bombardeio a Dresden na Segunda Guerra, o momento em que um dos personagens perde a voz, o fim... Não sei se ele é a salvação mas é um ótimo sinal.