Continuando a série de resenhas, mais três filmes -- e agora em textos pequenos, ainda bem.
Pequena Miss SunshineDesde que vi pela primeira o vez o trailer na internet, achei interessante. Parecia engraçadinho e, além disso, a atriz principal é muito carismática. O que mais poderia faltar? É realmente engraçado e tem uma trilha bacana no
MySpace do filme.
Todos personagens são problemáticos e, sim, existe a crítica à sociedade americana. É constrangedor ver todas aquelas meninas vestidas e penteadas como Barbies fazendo números quase circenses para ganhar um mero concurso de beleza na Califórnia.
O grande truqueVocê está prestando atenção? Esse filme não mudará a vida de ninguém.
Uma verdade inconvenienteAl Gore é, como o próprio diz, "ex-futuro presidente dos Estados Unidos". Depois de ter ganho a Casa Branca no voto popular e a perdido no tapetão, decidiu se recolher de vez e lutar por uma causa nobre: abrir os olhos da população para o aquecimento global. Desde os anos 70, Gore milita em favor do uso de energias limpas e menos emissão de CO
2 na atmosfera.
O documentário é dois filmes. Num deles, vemos a palestra dada mais de mil vezes pelo político. Ele tem um controle incrível, sabe tudo que importa e é praticamente um showman na apresentação. Vemos gráficos vermelhos, fotos de satélite, vídeos de desastres naturais e geleiras gigantescas se partindo na Groenlândia.
No outro, somos levados a crer que Al Gore é o homem mais belo e bem-intencionado do mundo. Descobrimos que seu filho quase morreu atropelado e que isso foi importante para que ele percebesse a necessidade de se cuidar do planeta. O mesmo é válido para quando nos contam que sua irmã morreu de câncer no pulmão ainda jovem. Mesmo sua corrida pela presidência teve razões ambientais, quando fala mais ou menos que "Decidi concorrer ao cargo para mostrar às pessoas a importância da luta contra o aquecimento global".
Ok, Albert, mas essa é a parte mais dispensável do seu filme. Na verdade, ele poderia ter metade do tempo se cortassem suas cenas fazendo caras e bocas em frente ao laptop. Espero do fundo do coração que a mensagem científica prevaleça sobre momentos panfletários como aquele "nós nos unimos, acabamos com o fascismo e derrotamos o comunismo". E pode usar o documentário na sua próxima campanha que a gente faz de conta que tá tudo certo.