o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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quinta-feira, 2 de novembro de 2006
Babel
No Marrocos, uma americana atingida acidentalmente por um tiro pode ser sinal de ataque terrorista e causa sérios incidentes diplomáticos. Enquanto isso, uma mexicana tenta se fazer entender ao atravessar a fronteira dos Estados Unidos para voltar a San Diego, onde mora ilegalmente, e uma jovem japonesa tem depressão em Tóquio.

Todos episódios são de "Babel", o novo filme de Alejandro González Iñárritu. Como em suas duas produções anteriores, não há respeito pela cronologia e tudo é relacionado. Talvez a fórmula esteja se tornando repetitiva e previsível, mas ainda assim produz coisas boas.

Após o acidente com sua cidadã, em férias na África com o marido, Washington se mobiliza dizendo que pode ser um atentado. Os americanos passam por cima do que for necessário para atingir seus interesses, enquanto marroquinos são quase animais e mexicanos são tão somente imigrantes com costumes arcaicos.

O Marrocos é mostrado como um grande fim de mundo, onde nem mesmo pode se confiar na origem de uma pedra de gelo. O México também não é dos melhores: "é um lugar perigoso", diz um dos personagens. Mais sujo e inferior que a América ou o Japão. Existe um contraponto claro entre o primeiro e terceiro mundos.

É simbólica a cena na qual um garotinho da Califórnia vê, com grandes olhos de pavor, uma galinha ser decapitada à mão numa festa de casamento no México. Quem não entende a cultura dos outros pode taxá-la de subdesenvolvida.


O segmento menos explorado no roteiro é o que mais me trouxe curiosidade. A jovem Chieko aparenta estar depressiva devido à morte de sua mãe, à ausência de seu pai e à sua deficiência auditiva. Apesar de sua beleza, não tem sorte nos relacionamentos pois os garotos são preconceituosos. Nunca sabemos ao certo o que se passa pela cabeça da japonesa.

Num dos momentos mais bonitos, ela sai com suas amigas e se diverte com outros jovens numa praça. Depois, vão para uma festa onde há música muito alta e, por ser surda, sente-se deslocada. A câmera mostra sua visão e o filme é invadido pelo silêncio. Vemos apenas as luzes, a fumaça e as pessoas dançando. O mundo é horrível sem som e é assim que Chieko vive.

Na torre de Babel, ninguém se comunica pois todos falam línguas diferentes. No mundo atual, as pessoas, mesmo falando línguas diferentes, se comunicam e muitas vezes não se entendem. É dessa maneira, contrapondo ricos e pobres, culturas diferentes e problemas familiares que Iñárritu cria a sua torre pessoal.
Elder Costa | 21:01

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