Uma da manhã de sexta-feira. Uma pequena multidão se aglomerava em frente ao Teatro Oficina aguardando o final da peça, para que se iniciasse o cortejo que iria dali até o Espaço dos Satyros, onde o diretor José Celso Martinez Corrêa seria homenageado. Em meio à multidão, uma carruagem e cavalos.
As portas do teatro se abriram revelando a cena final de “Os Sertões – O Homem I”, em que elenco e público brincavam de roda cantando Ciranda Cirandinha. O elenco fazia gestos chamando a todos que estavam na rua para entrarem e participarem da cena. Após isso, iniciou-se o cortejo.
À frente ia uma das atrizes do Oficina montada em um cavalo branco, vestindo apenas uma capa preta que escondia parcialmente seu corpo exuberante. Logo em seguida, a carruagem que levava Zé Celso acompanhado dos personagens libertinos de “Os 120 dias de Sodoma”. E em seguida, uma pequena multidão que cantava e dançava incansavelmente.
No meio do caminho, uma parada, a pedido de Zé Celso, pois Catarina precisava ir junto. Então Zé desce da carruagem, e a multidão começa a chamar por Catarina incansavelmente (possivelmente ninguém ali fazia a menor idéia de quem fosse Catarina). Algumas pessoas, desentendidas, apareceram nas sacadas para entender o que acontecia, quando Zé lançava: “A Catarina não está, ela está na peça... vamos embora!”. E a caravana continuou caminho afora pelo centro de São Paulo.
Ao chegar na praça Roosevelt, em vez de entrar diretamente em direção ao destino, o cortejo deu uma volta no quarteirão. A esta altura, a amazona que ia à frente já estava totalmente nua, montada em seu cavalo branco e descendo a rua da Consolação, virando na praça Roosevelt onde uma outra multidão aguardava ansiosamente pela caravana cantante que chegava.