o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Elefante branco com patas vermelhas
Quando falamos sobre pontos turísticos de São Paulo, é impossível não se lembrar, logo de primeira, do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP. A obra-prima arquitetônica de Lina Bo Bardi, instalada no coração da avenida Paulista, é um dos maiores ícones da cidade. Seu vão livre (que não sei se ainda é o maior do mundo) impressiona e instiga arquitetos, engenheiros e admiradores até hoje.

Por dentro, o museu também impressiona - não pela arquitetura, mas pelo acervo, que é considerado o mais importante do hemisfério sul. Picasso, Van Gogh, Rafael, Portinari, Modigliani, Cézanne, Botticelli, Renoir e Monet são alguns dos artistas que podem ser vistos em exposição no acervo permanente, que iniciou-se - vejam só - graças às extorsões e chantagens que seu fundador, o jornalista Assis Chateaubriand, fazia aos grandes empresários paulistas ameaçando-os de calúnias e denúncias públicas em seus jornais caso não financiassem as obras para o museu.

Apesar do poderoso acervo e do invejável potencial turístico, já fazem anos que o museu tem passado por sérias dificuldades financeiras - chegando até mesmo ao absurdo de ter sua energia elétrica e os telefones temporariamente cortados recentemente por falta de pagamento. Em meio à crise e para tentar alavancar alguma renda, nos últimos anos o museu tem tentado tirar leite de pedras promovendo exposições baratas e pouco atrativas, e que logicamente não geram uma bilheteria necessária para a manutenção adeqüada do museu, e muito menos para gerar fundos para exposições maiores.

É muito triste ver um museu tão significativo e com um acervo tão grandioso nestas condições, e muito disso se dá devido à forma como ele era gerido. A curadoria do acervo permanente, por exemplo, é péssima. A forma como as obras são expostas não é nem um pouco didática, o que afasta todo o público menos erudito, que ao adentrar o museu para conhecer um pouco sobre arte, se depara com uma porção de quadros com apenas as informações básicas (título, autor e data). É mesquinho demais pensar em tanta história e tanta cultura concentradas, mas com uma apresentação que em vez de aproximar o público das obras, o distancia, em nome da erudição (ou seria da preguiça?).

Hoje saiu na Folha Online uma notícia dizendo que o MASP passará por uma grande reformulação em 2007: passará a abrigar exposições de arte contemporânea, mudará o critério de apresentação de seu acervo permanente e buscará dar mais ênfase à arte das Américas e do oriente, pois hoje o grande foco do acervo do museu é na arte européia. Espero que os planos dêem certo e que o MASP volte a ter a importância que ele sempre teve na vida cultural na cidade, pois da forma como está hoje aquele prédio flutuante não passa de um grande e triste elefante branco (com patas vermelhas).
Maurício Alcântara | 12:31

Comentários:
Mau, gostei do seu post, e principalmente do titulo dele. Cabe aqui duas ressalvas:1. curadoria do MASP, que eu saiba o masp nao tem um curador fixo. Nao tem plano de curadoria justamente pq nao se renova. A atual disposicao das obras quase nao se altera a anos e as exposicoes como Degas e outras internacionais ja vem com plano curatorial. 2. O motivo pelas obras do acervo permanente serem apresentadas como sao (em paredes tematicas, em ordem cronologica e nacionalista) eh justamente um conceito de didatismo criado no comeco do seculo XX. Mas o masp nao foi concebido dessa forma. Procure fotos antigas e vera com que forma mais revolucionaria e pouco ortodoxica (em termos didaticos) Lina Bo Bardi imaginou esse museu. Haviam muitos problemas, como a luz que invadia o ambiente, e a aparente desordem. Por isso, resolveram "organizar" do jeito mais facil e que as pessoas mais facilmente entendesse. Creio entao que a preguica seja o motivo pelo qual nada muda naquele museu. Existem outras possibilidades. Talvez com essa insercao de arte contemporanea, elas existam.
Olivia
Anonymous Anônimo | 19 dezembro, 2006 15:43  
Oi Olivia,

Sim, eu sei que a curadoria é rotativa e também já vi fotos do formato caótico como as obras eram apresentadas antes, com paredes de acrílico (ou era vidro?). Mas não concordo que dividir por origem geográfica seja o critério mais didático, e nem acho isso inteligente... Menos ainda quando as informações das obras não estão presentes. Ou quando estão, no máximo, nos catálogos que eles disponibilizam e vendem...

Mas não vejo nenhum destes fatos como impecilhos para que uma reforma conceitual não seja feita...

Bjs!
Mau
Blogger Maurício Alcântara | 19 dezembro, 2006 17:14  
uma reforma que deve ser discutida é a reforma geral dos museus no brasil. aqui se faz museu para tudo e para todos. o problema é que falta dinheiro pra tanto. quantos museus há em são paulo? mantidos pelo governo estadual, 15.

em paris existem uns 32, mas todos (ou quase todos) lucrativos e sem maiores necessidades de financiamento público. será que são paulo tem o mesmo potencial turístico-artístico de paris?
Anonymous Anônimo | 20 dezembro, 2006 03:52  
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