
Assim como o psicológico Hamlet e o juvenil Romeu e Julieta, Macbeth é uma das mais famosas e intensamente encenadas tragédias escritas por William Shakespeare. Apesar de muitas vezes ser tido como um texto "batido", a riqueza com que o bardo inglês retratou os personagens permite que hajam infinitas interpretações, apropriações e propostas de encenação diferentes, inovadoras e até mesmo modernas para este texto medieval.
Recentemente, por exemplo, tivemos em cartaz em São Paulo "A Senhora Macbeth", uma apropriação em que a dramaturga argentina Griselda Gambaro volta o texto de Shakespeare para a emblemática Lady Macbeth, uma das personagens mais interessantes da trama - até mais interessante que o próprio Macbeth, na minha opinião.
Atualmente, é possível conferir uma montagem que está em cartaz no espaço dos Satyros, dirigido por Maurício Paroni de Castro e com Renato Borghi no elenco. Neste Macbeth, bastante atrelado ao texto original, a encenação está bastante voltada para a apropriação do espaço, construindo ambientes e contando com a imaginação do público. Há ampla utilização de cenografia e iluminação bastante rústicos e interessantes, de forma que os próprios atores se tornam os contra-regras e iluminadores do espetáculo.
Infelizmente a proposta de encenação do espetáculo se perde em meio à confusão que se cria em torno dos personagens, e sobretudo pelo fato de que as imagens construídas não acompanham o texto. Isso torna o espetáculo verborrágico e confuso ao ponto de, em dois momentos, dois atores precisarem fazer um resumo da peça para que a platéia pudesse continuar acompanhando a história do tirano escocês. Todos os elementos incorporados que tornam a cenografia intrigante no primeiro momento, acabam dissolvendo-na em símbolos pouco trabalhados e conceitos pouco claros.
Com o perdão do trocadilho e parafraseando o texto, infelizmente se tornou um espetáculo cheio de som e fúria, mas que no final acaba significando pouco.