C.R.A.Z.Y.
"Crazy - Loucos de amor" é dirigido por Jean-Marc Vallée, se passa no Canadá francês e começa em 25 de dezembro de 1960, no nascimento de Zac, quarto filho dos cinco de um casal formado por uma simpática mãe religiosa e um quase caricatural pai machista. A data é simbólica e nada melhor que isso para traduzir a idéia de que Zac é especial.
O roteiro tenta fortalecer essa relação entre as vidas do garoto e a de Cristo mostrando que Zac passará por provações e dificuldades, que ele terá um dom de curar pessoas (!?) e que será crucificado moralmente. Leva tempo até que os pais e ele próprio aceitem sua condição -- não de filho de Deus, mas de homossexual.

Discute com o psicólogo que é obrigado a visitar: "Eu não sou gay. Eu por um acaso falo com afetação ou ando como um pavão?" Pode não ser um pavão, mas ele mudou de roupas, cabelo e maquiagem umas cinco vezes até decidir que, bem, era gay mesmo. Passou inclusive por uma fase David Bowie.
É uma história de amor na família, de desentendimentos e de conflitos, que desanda um pouco depois da viagem quase-cósmica que Zac faz ao ir para Jerusalém, cidade que sua mãe sempre quis conhecer. "Sou ateu mas é emocionante andar sobre os passos de Cristo", disse num momento de total interação com seu lado santificado. Aqueles conflitos familiares eram muito mais interessantes que as descobertas num passeio por lugares exóticos.
Parece que ele volta decidido a parar de mentir pra si mesmo e aceitar sua condição. Antes, há a última provação com a internação de um dos irmãos por overdose e, enquanto isso, me divertia com a trilha sonora que traz grandes nomes dos anos 60, 70 e 80. Com resultado irregular, merece ser assistido, mas esse filme canadense poderia ser melhor se tivesse escolhido algumas outras soluções durante a história.