A propaganda é um universo mágico e fascinante que aquece os coraçõezinhos dos publicitários serelepes que trabalham em média 16 horas por dia nos maravilhosos e deslumbrantes
sweatshops da criatividade infinita. Destes ambientes ultradescolados saem sempre campanhas maravilhosas, inteligentes, intrigantes e de bom-gosto.
É o caso do outdoor de uma marca de mortadela que vi esta semana. O slogan é lindo:
Nada como um abraço bem gostoso no Natal. E na imagem, bem, um lindo bebezinho meigamente travestido de bom velhinho, abraçando afavelmente... uma mortadela.

Pois bem. Eu sou publicitário, e só de olhar para aquilo comecei a imaginar como deve ter sido o processo de criação desta pérola. Certamente tudo começou pelo
briefing do cliente: ele queria fazer uma campanha de Natal que humanizasse a imagem da marca, além te ter um forte apelo emocional. Por isso, não houve dúvidas: escolheram utilizar um bebezinho vestido de papai noel.
Então veio a parcela de criatividade do redator, que possivelmente devia estar bastante carente e desmotivado, precisando de um abraço. Só que o conceito brilhante do abraço jamais seria aprovado se não houvesse um vínculo com o produto. E não houve dúvida: vamos colocar o bebê abraçando uma mortadela!!
Então veio a produção do anúncio, começando pelo casting. Logicamente havia a preocupação de fazer a escolha da protagonista ideal: aquela bonita, rechonchuda e corada, para que chamasse bastante atenção e alavancasse as vendas aos céus. Então a colocaram ao lado de um lindo bebezinho.
O diretor de arte se certificava que aquela obra-prima estava dentro dos padrões da identidade da marca. A mãe (da criança) orgulhosa de ver seu bebê-mortadela sendo fotografado para uma propaganda. O cliente feliz da vida porque finalmente com este anúncio genial ultrapassaria seus concorrentes. E o redator, coitado, devia estar lá na agência implorando por um abraço ou tomando um vidro de prozac.