
O novo monólogo de Michel Melamed e segundo espetáculo de sua trilogia brasileira,
Dinheiro Grátis, nos mostra que o dinheiro pode sim comprar tudo. A platéia, dividida em dois grupos – civilização e barbárie – interage com o espetáculo o tempo todo, participando de todos os leilões que Melamed promove ao longo do espetáculo.
Desde o início, o ator assume a postura de uma espécie de humorista, promovendo algo que se assemelha a uma
stand-up comedy. Rapidamente a platéia entra no clima deste formato de fácil aderência, e então começa a pancadaria. Sutilmente, vamos sendo conduzidos a uma visão extremamente crítica, sarcástica e bem-humorada sobre a sociedade vendida em que vivemos. E nós, o público, classe média-alta freqüentadora de teatro, começamos a nos enxergar nas situações propostas que ele conduz com maestria e irreverência.
Longe de ser maniqueísta ou revolucionário, o objetivo do espetáculo não é apontar soluções ou servir de estopim para qualquer tipo de movimento. Essa ingenuidade passa longe da genial concepção da peça. O objetivo é realmente colocar o dedo numa ferida exposta e nos mostrar que, apesar dos curativos que colocamos, ali ainda há uma ferida que sangra muito. E Melamed consegue.