Pablo José Meza é argentino, diretor de cinema novato e seu primeiro filme atende pelo nome "Buenos Aires 100 Km". Esse também é o título do conto que Esteban, personagem principal da história, está escrevendo. Talvez por ser sua estréia profissional, o filme é constantemente inocente e pueril. Seu roteiro, um tanto primário.

São cinco jovens moradores de um vilarejo a 100 quilômetros da capital argentina naquela fase da vida em que todos temos algum tipo de problema existencial: a passagem da adolescência pra vida adulta. Cada um tem sua pendência exclusiva e tudo se resolverá de uma forma ou de outra. No meio disso tudo, andam de bicicleta, fazem brincadeiras, jogam bola e, claro, descobrem as maravilhas do amor.
Na saída do cinema, li a crítica do Estadão pendurada no mural e concordei com quem disse ser um filme que cativa pelos seus defeitos. E, por que não?, pela sua inocência. O mote do roteiro é um sucesso há muito tempo. Quem não se lembra de ter visto "Anos Incríveis" e ao menos ter gostado?
Talvez possamos entender que há mesmo um quê de metalinguagem entre a história do filme e o livro do jovem Esteban. Acompanhamos seu processo criativo e observamos as mudanças feitas no conto. Nele, um assassino misterioso chega a um povoado no interior do país e começa a misteriosamente matar moradores.
O final, devidamente poético, deixa marcado que a partir dali tudo seria diferente. Agora eles vão se tornar adultos e todas aquelas coisas boas da juventude -– os jogos de futebol, os bailes, as namoradas -– ficarão no passado. Mesmo a frente do cabeleireiro agora está vazia.