Se o filme do post anterior tratava da transição dos garotos para a vida adulta, o livro "Mãos de Cavalo", de Daniel Galera, faz o mesmo. Pra ficar no lugar comum, é tão bom que o devorei em três horas. O jovem autor paulista radicado em Porto Alegre escreveu, em seu primeiro lançamento por grande editora, uma daquelas poucas histórias que conseguem me prender de forma absurda e me fazer pensar no cotidiano.
Em 190 páginas conhecemos Hermano, o protagonista cujo apelido dá nome à obra. De uma rápida passagem por sua infância vamos para a adolescência e, dali, num pulo chegamos ao seu dia-a-dia como médico de sucesso. Cada capítulo intercala uma parte para então sabermos um pouco dos seus 15 anos e depois um pouco dos seus 30, e assim o livro vai até o fim. O momento adulto se passa em apenas duas horas e remete àquilo tudo que aconteceu até então. Aos poucos o que parecia desconexo vai formando uma grande história de, como diz a contracapa, "heroísmo e covardia".
Confesso que ao tê-lo comprado pensei estar levando pra casa um belo exemplo de livro maldito, com milhares de novidades e afetações estilísticas, sexo e bobagens -- bem ao estilo "gente, olhem pra mim". Fui surpreendido positivamente. Não tenho conhecimento suficiente pra ficar aqui falando linhas e linhas e analisando influências ou qualquer coisa assim, mas quero apenas recomendá-lo de verdade.