Em 1996 estreava na Broadway um espetáculo diferente das dezenas de outros musicais em cartaz naquela região. Não tinha primor tecnológico, nem figurinos mirabolantes, nem efeitos especiais arrebatadores. Não havia trocas de cenários e nem celebridades em cena. Era Rent, de Jonathan Larson, uma versão rock'n'roll da ópera La Bohème, de Giacomo Puccini.


O espetáculo transportava para a Nova Iorque pós-moderna os artistas boêmios de Puccini, com foco sobretudo na questão da AIDS, que até então era uma doença pouco conhecida pela ciência e que dizimava e apavorava sobretudo a classe artística e boêmia das grandes metrópoles do mundo - em São Paulo, por exemplo, o Teatro da Vertigem apresentava naquele mesmo ano o Livro de Jó, peça também concebida para levantar a questão da doença, e que foi encenada em um hospital desativado.
Simples, sincero, sensível, emocionante, divertido, empolgante e marcante, Rent já está há 10 anos em cartaz e já recebeu montagens ao redor de todo o mundo (inclusive em São Paulo, em 1999), e ano passado foi adaptado para o cinema pelo diretor Chris Columbus, responsável pela adaptação para o cinema de dois episódios da saga Harry Potter. A estréia nos cinemas brasileiros (com o subtítulo porco "Os Boêmios"), depois de adiada várias vezes, está prevista para o final de maio.

O filme está belíssimo. A adaptação é totalmente fiel à peça, inclusive com boa parte do elenco original da primeira montagem da Broadway. Quase todas as músicas se mantiveram, intactas, os diálogos foram bem constituídos, a linguagem cinematográfica não está conflitando em nada com a linguagem teatral e o resultado final é um blockbuster da maior qualidade, que certamente fará com que muita gente saia dos cinemas chorando, emocionados. Imperdível.