o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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quarta-feira, 17 de maio de 2006
Avenida Dropsie

(...) Aceite um conselho: entre num avião, tome um ônibus, suba num trem, pegue uma bicicleta, faça qualquer coisa, mas vá até São Paulo e assista a “Avenida Dropsie”, de Will Eisner, o tal novo espetáculo de Felipe Hirsch.
Vencida esta primeira etapa, não está garantido que você entre no teatro. Como toda produção do Teatro Popular do Sesi, “Avenida Dropsie” tem ingressos gratuitos. Então, é preciso chegar ao teatro algumas horas antes de começar a sessão, aguardar numa fila e, quando enfim os bilhetes forem distribuídos — 60 minutos antes da hora marcada para a peça se iniciar — torcer para que sobre algum para você. Mas vale a pena. “Avenida Dropsie” é um dos espetáculos mais impactantes dos últimos anos no teatro brasileiro. (...)
- Artur Xexéo, tirado daqui.
A Sutil Companhia de Teatro é na minha opinião uma das mais sólidas e marcantes da atual cena teatral brasileira. Avenida Dropsie, sua última produção, que ficou por meses em cartaz no Teatro Popular do SESI ano passado, inclusive com direito a prorrogações e a quase todas (se é que não foram realmente todas) as seções esgotadas, é o exemplo mais que perfeito de que é possível agradar a todos os públicos ou a quase todos. Uma adaptação para os palcos das graphic novels de Will Eisner, a peça é um panorama bem-humorado e melancólico sobre a vida nos grandes centros urbanos. Para ajudar a tornar o espetáculo inesquecível, a cenografia de Daniela Thomas e a iluminação ganhadora do Prêmio Shell são fundamentais.

Após o estrondoso sucesso do ano passado, semana passada a peça reestreou em uma curta temporada no Teatro Alfa, com parte do elenco original, e com alguns nomes novos. Não sei se é por eu ter perdido a conta das vezes que eu vi a peça lá no SESI e já estar acostumado com o elenco, mas os novos atores, que eram muito bons, ainda não pareciam totalmente familiarizados com os mais de 200 personagens da peça. Senti falta, por exemplo, do olhar expressivo da Magali Biff e do carismático bêbado interpretado pelo Joelson Medeiros. Percebi também que, sobretudo no começo da peça, a equipe de luz e som ainda não estavam tão afinadas com a peça: algumas trilhas e algumas luzes demoraram um pouco para se acender, etc. Mas sabemos que se trata de um processo natural de adaptação. E quem não viu a peça tantas vezes como eu nem percebe esse delay, e esses detalhes acabam interferindo pouco na altíssima qualidade do espetáculo.

Mas a principal diferença que eu pude perceber não é com relação à montagem em si, que apesar destes pequenos detalhes, continua deslumbrante. A maior das diferenças eu percebi no público. Enquanto no Teatro Popular do SESI a platéia era sobretudo composta por jovens que passavam a tarde inteira na fila para conseguir assistir à peça gratuitamente, o público do Teatro Alfa é, como era de se esperar, de pessoas de uma faixa etária maior, com um poder aquisitivo mais alto e que comprou seus ingressos com a comodidade da venda por telefone (aliás, ponto positivo para o Alfa, esse serviço é muito eficiente e prático). Enquanto lá na Paulista, mesmo quando a sessão esgotava, as pessoas ainda sim faziam fila para tentar conseguir o lugar de alguém que eventualmente desistisse, no Alfa menos da metade da platéia estava tomada. Claro que o preço do ingresso, a inacessibilidade do Alfa e o fato de ser dia das mães interferiram, mas mesmo assim é muito triste uma peça como essa ser "desperdiçada" com tantos lugares vazios.

Diferente também é a forma como a platéia reage à peça. Na Paulista, vou mais uma vez citar um trecho do Artur Xexéo: "(...) A platéia adere ao espetáculo com entusiasmo. Na noite em que assisti à peça, o público aplaudiu em cena aberta duas vezes. E no fim emitia urros que a gente pensa só ouvir em shows de rock. (...)". Isso é muito verdade, a coletividade da platéia do SESI é contagiante, as cenas engraçadas da peça tornam-se ainda mais engraçadas, os aplausos no final são sinceros, empolgados e empolgantes. Juro que quando vejo um bom espetáculo ser ovacionado merecidamente, me emociono muito. No Alfa, quando apareceu a assinatura de Will Eisner, eu comecei a aplaudir sozinho e segundos depois, apenas quando as luzes se acenderam exibindo o elenco, o restante da platéia começou a aplaudir, de uma forma que me pareceu fria e distante. Esta foi a única vez que não saí desta peça emocionado, mas sim um pouco deprimido.
Maurício Alcântara | 14:01

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