o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

outros blogs
breve-brevíssimo
boulevard des capucines
cinismo cotidiano
depósito
diário de olinda
diário do porto
me exorcisa
pingüim de cócoras
sagomadarrea
subverso
a vida en-cena
yudsen

mais recentes
Explodir um prédio para mudar o mundo
Sai Suzy, entra Fátima.
Fato Relevante
Diálogos do Cotidiano
Biblioteca Básica
Jesus é mais alvo do que a neve
Pequenos frascos
The critic
Filmes da Semana
Quadrilha

arquivos
junho 2005
julho 2005
agosto 2005
setembro 2005
fevereiro 2006
março 2006
abril 2006
maio 2006
junho 2006
julho 2006
agosto 2006
setembro 2006
outubro 2006
novembro 2006
dezembro 2006
janeiro 2007
fevereiro 2007
março 2007
abril 2007
maio 2007
agosto 2007
setembro 2007
outubro 2007
novembro 2007
dezembro 2007
janeiro 2008
fevereiro 2008
março 2008
abril 2008
maio 2008
junho 2008

 
domingo, 16 de abril de 2006
E o assunto é (mais uma vez) cinema.

O cinema é definitivamente fabuloso. Fabuloso porque consegue servir àqueles que se interessam pela arte construída através da captura de imagens em seqüência, e também porque serve àqueles ávidos por uma história bem contada, e não pela arte.

Sempre fui um grande defensor do desvencilhamento do cinema-arte do cinema-entretenimento porque é muito injusto analisar uma obra-prima sob o ponto de vista de quem quer apenas se entreter por duas horas comendo pipoca, assim como é muito injusto analisar uma história interessante e bem contada sob o ponto de vista de quem busca algo para refletir e discutir em uma mesa de bar ou de café com os amigos cinéfilos. Tudo é uma questão de receptividade.

Claro que isso não é uma justificativa de se defender qualquer filme, existe muito lixo, mas muito mesmo, que está a anos-luz de ser considerado obra de arte, e que nem sequer consegue contar uma boa história de uma forma aprazível. Mas há muitas obras brilhantes que conseguem contar boas histórias, de forma agradável e ainda têm uma importância na história do cinema que vai muito além dos milhões que arrecadam nas bilheterias. Até mesmo porque há vezes que grandes obras nem sequer conseguem fazer sucesso de bilheteria...

Confesso que eu sou do tipo de pessoa que vai ao cinema na maioria das vezes em busca de arte: de um roteiro bem construído, de uma fotografia deslumbrante, de uma edição inteligente e, sempre que possível, uma história bem contada. Até porque por mais brilhante que seja o filme, se a história não for bem contada, dificilmente eu o verei novamente.

Por isso que eu gostei de 2046 de Kar Wai Wong, por sua fotografia absolutamente fabulosa apesar da história intencionalmente confusa proposta pelo roteiro evasivo. Ou ainda porque gostei de Nossa Música, praticamente um filme-tese de Jean-Luc Godard, que tem um roteiro ultradenso e complexo que requer que o filme seja visto e revisto várias vezes para que seja plenamente compreendido.

Mas se é pela fotografia, prefiro milhões de vezes rever Abril Despedaçado de Walter Salles Jr. a rever 2046 em uma noite de sábado. Se é pelo roteiro complexo, sinto-me muito mais à vontade revendo alguma das pirações oníricas de David Lynch, que quando compreendidas, revelam ótimas histórias, do que rever Nossa Música. Afinal, por menos que eu busque entretenimento nas obras de arte, não sou masoquista ao ponto de fazer questão de dedicar meu escasso tempo a obras que não me proporcionem prazer.
Maurício Alcântara | 14:00

Comentários:
Postar um comentário