
Imagine se no dia do seu aniversário, durante toda a sua vida, você gravasse uma fita com seu relato sobre o que aconteceu desde a última gravação. E se todo ano em seu aniversário você ouvisse estas gravações. Quais seriam suas reações ao descobrir em você mesmo uma pessoa que sua própria memória apagou?
Esta é a temática de “A Última Gravação de Krapp”, peça teatral de Samuel Beckett em cartaz no Teatro da Memória, no Instituto Cultural Capobianco, com destaque para a primorosa atuação de Antônio Petrin. O espetáculo curto e intimista (perfeitamente adequado ao aconchegante e minúsculo Teatro da Memória) é um típico Beckett: incômodo, denso e nos deixa (ou ao menos
me deixa) com a sensação de que está faltando algo. Mas não está.