o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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quarta-feira, 1 de março de 2006
Cotas, privilégio e realidade
O assunto é chatinho, mas de tempos em tempos a discussão sobre cotas em universidades públicas volta à tona. Agora que um projeto defendendo essa política está para ser apreciado no Congresso, novamente resolvi falar o que acho.

Os que estão desse lado dizem que os alunos das universidades públicas são privilegiados pois, além de não pagar por seus estudos, puderam estudar em boas escolas particulares e/ou pagar por cursinhos preparatórios. Considero uma lógica torta culpar os "privilegiados" pelos problemas dos "infortunados". É interessante perceber que aí mesmo já surge o problema central -- o péssimo ensino público.

O governo fala mal de si mesmo ao aceitar o fato e o povo, num grandioso exemplo de auto-engano, acha que uma lei reservando 50% das vagas públicas resolverá todos seus problemas. Mal sabem que haverá novos problemas como a perpetuação do péssimo ensino público, a piora da qualidade nas universidades estatais, etc.

Quem pode pagar pelo ensino de qualidade assim o fará, sempre. É, inclusive, uma forma mais eficiente de fazer o dinheiro circular: quem pode, paga. Não vou discutir sobre fins sociais. De qualquer maneira, vejo uma espécie de vingança oculta, uma coisa meio inconsciente na mente dos defensores das cotas.

Algo como se dissessem "vocês nos oprimiram nesses últimos 506 anos e agora nós vamos dar o troco". Tiram dos ricos para dar aos pobres? Isso é injusto, principalmente se lembrarmos que muitos alunos das universidades públicas não são ricos. Esses existem, claro, mas são em número inferior às vagas oferecidas anualmente.

Outro ponto a ser considerado é o das cotas nas cotas. Além de separar metade das vagas para os estudantes da escola pública, parte delas será dedicada aos afro-descendentes e índios. Índios?

As pessoas costumam criar uma aura em torno do ensino superior, como se o diploma abrisse todas as portas dos maravilhosos empregos corporativos que pagam muito. Especificamente sobre o ensino superior gratuito, imaginam como se fosse algo de primeiro mundo, brilhante e com cheiro de amaciante. Isso me lembra uma conversa que tive com um desconhecido quando fiz cursinho:

- E eu fiz XXX no Mackenzie durante seis meses...
- Hm.
- ... mas aí eu parei. Prefiro fazer na USP.
- Hm. Por quê?
- Imagina estudar cinco anos sem pagar nada! NADA!
E, claro, me esqueci de frisar que o paraíso é grátis. É sempre bom reforçar a idéia, mesmo sabendo que, orginalmente, as universidades não deveriam formar técnicos, etc.

Faça uma visita a algumas unidades da USP e veja a realidade com seus olhos. Muitos prédios são dignos de escolas de ensino médio na periferia paulistana, dezenas de disciplinas não têm oferecimento por falta de professores, salas apertadas, poucas cadeiras e ar quente. Não parece Harvard.

As unidades privilegiadas dentro desse universo já tão privilegiado são aquelas em que as fundações (amadas por alguns, temidas por outros) têm poder e captam recursos com a iniciativa privada. Os professores que são membros dessas fundações costumam ganhar muito mais dinheiro com seus MBAs e consultorias do que com o salário pago pelo Estado. Em troca temos datashow, granito e ar-condicionado.
Elder Costa | 23:50

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