
Espécie de cópia modernizada do clássico "1984", escrito por George Orwell, "V de Vingança" é um filme acima da média. Todas as características do livro que fala sobre o Grande Irmão estão presentes: ditador, tele-tela, polícia, medo, tortura, dúvida, etc. Até mesmo a novilíngua e as frases de impacto, ao estilo "guerra é paz", aparecem. A parte modernizante vem dos conceitos contemporâneos como terrorismo, explosões e conflitos biológicos.
V é um homem que deseja libertar a Inglaterra do governo ultraconservador que tomou o poder logo após a decadência dos Estados Unidos. O ano é 2020. Para chegar ao comando, o Partido (nome próprio) usou da aprovação pública de suas idéias sobre cerceamento dos direitos civis e abusou do pavor. Daí para a ditadura foi um pulo. Nosso herói conta com a ajuda de Evey, uma bela garota que, de repente, se vê envolvida na trama.
Um tanto ufanista, a produção mostra os bons objetivos do terrorista V e a transformação pela qual passou a população britânica. Ela parecia, em geral, cansada da situação vivida e as idéias do herói mascarado funcionaram como um dedo no gatilho da ânsia por liberdade, igualdade e fraternidade. A aprovação popular que V obteve cresceu de maneira razoável. Não espere grandes questionamentos.
Enquanto isso, do outro lado, o chanceler caricato -- quase um Hitler de cavanhaque -- se envolve com problemas de governabilidade e procura um bode expiatório para o caso da situação literalmente explodir. Temos ainda o policial psicologicamente fraco, aparentemente sem saber de que lado está, mantendo uma investigação que o leverá a criar sua versão sobre a história na qual os grandes nomes estão envolvidos.
Junte tudo, misture com um pouco de teoria conspiratória e você poderá almoçar seu thriller político. O sabor é bom e a digestão é fácil, mas talvez um pouco mais demorada para fãs da HQ.