o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.
nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.
em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.
"Onde os Fracos Não Têm Vez" é um dos poucos títulos que, traduzidos, são tão bons quanto os originais. No caso, "No Country For Old Men". Tanto um quanto o outro faz sentido e pode ser alvo de discussões infinitas. Ótimo Oscar para os irmãos Coen. E Daniel Day-Lewis em "Sangue Negro"? Inexplicável. Assim como a trilha sonora e o próprio filme do Paul Thomas Anderson, queridinhos dos descolados desde, pelo menos, "Magnólia".
Quem ganhou Oscar também foi "Juno", levando o prêmio de melhor roteiro para o texto de Brook Busey, mais conhecida por seu nome de guerra "Diablo Cody". Não sei, mas ninguém tira da minha cabeça que ela é uma espécie de Fernanda Young born in Chicago. O verbete sobre a escritora brasileira na Wikipédia começa de maneira sensacional.
Acho bacana como ela conseguiu ler tanta coisa numa balsa sem ao menos enjoar. Sem trocadilhos. Outro grande personagem da brasilidade que surgiu na balsa Rio - Niterói foi Senor Abravanel. Assim, fecha-se a trinca Diablo Cody - Fernanda Young - Sílvio Santos.
E "Juno", dizem, é o "Little Miss Sunshine" deste ano. Ou "Sideways". Enquanto o primeiro fala sobre uma garotinha em busca da felicidade, o segundo fala de um homem quase senil em busca da felicidade. Grosso modo, a recente produção fala de uma jovem em busca da felicidade. Pronto. Encontramos as conexões entre as três fitas indie.
Como é um filme pop alternativo, conta com um desfile de personagens freak, desde a Juno do título com seu namorado meio andrógino / meio tímido, até a madrasta que gosta de cachorros e o yuppie legal que toca guitarra. Fofura elevada à n-ésima potência, não? Claro, a trilha sonora também é um destaque positivo. Ela vem com "Sea of Love", versão da Cat Power pra uma música de Phil Phillips e George Khoury, o que me faz mudar de assunto no próximo parágrafo.
Eu adoro a Cat Power. Digo, a Chan Marshall. Bonita, problemática e com uma voz rouca, poderia muito bem ser um personagem almodóvariano, mas não. Ela decidiu, drogar-se, beber, cantar e ganhar dinheiro com isso. Seu último CD, "Jukebox", é o segundo de covers em sua carreira – "Sea of Love", remake da música de 1959 e trilha de Juno, está em "The Covers Record". Mas não são simples regravações de sucessos de outras bandas. Marshall destrói e reconstrói as músicas de forma a torná-las quase irreconhecíveis. "New York, New York", o tema de Frank Sinatra para o filme homônimo, é uma coisa, assim, divertida.