Mais de um ano após a estréia de "Império dos Sonhos" nos Estados Unidos, fui hoje ao cinema ver esse que é o mais novo filme de David Lynch e que trata da história de "uma mulher em perigo". Li muito sobre a produção e fiquei sabendo por antecedência que, se há roteiro, é um fiapinho quase invisível, e que esse é o filme mais estranho já feito pelo diretor. Algo que me marcou nessas leituras foi a primeira frase da
crítica de Manohla Dargis no New York Times: "No cinema, há poucos lugares mais medonhos para se estar do que na cabeça de David Lynch."

É um pesadelo constante, essa cabeça. Fui sendo levado pela história (hein?) criada por ela e, em dado momento, não sabia mais o que era o filme, o que era o filme dentro do filme, o que era pensamento e o que era a realidade. Contei as pessoas que saíram antes do fim e foram umas quinze. Imaginei que mais gente desistiria do estranho laboratório lynchiano.
Foi a prova que as imagens valem mais que as palavras. Um filme sem estrutura narrativa linear e aparentemente sem nexo, onde você nunca sabe o que está olhando, onde existem umas n camadas que se misturam e se tocam ao mesmo tempo que se mantém distantes. De difícil digestão? Caso você tente entender algo de forma padrão, sim. Minha dica é se deixar viajar, ficar sem amarras. Chegue às suas próprias conclusões, que fatalmente serão diferentes das dos seus vizinhos de sala. Veja o filme como uma experiência, o que ele realmente é.