Gosto muito de tramas políticas. Sou fã, por exemplo, de "The West Wing", a série que se passa nos bastidores da Casa Branca. Na mesma linha, "A rainha", de Stephen Frears, mostra o que aconteceu (ou deve ter acontecido) no Palácio de Buckingham nos dias que se seguiram à morte da princesa Diana.
A rainha Elizabeth II decidiu que o governo não se envolveria com o caso pois Diana não era mais membro da família real. Além disso, tratava-se de um assunto delicado que precisava ser tratado apenas pelos parentes dela. Todos também sabemos que a amizade das duas não era exatamente forte.
Elizabeth passava por um momento complicado de seu reinado. Pela primeira vez em vários anos um trabalhista estava chegando ao poder: Tony Blair tornava-se primeiro-ministro com idéias pouco ortodoxas para o establishment britânico e, além disso, sua mulher é uma conhecida anti-monarquista. A morte do nome mais popular da realeza não poderia ser pior.
Apegada às suas crenças, a rainha vai para um castelo longe de Londres com marido, mãe e netos. Blair decide falar à nação em nome do Parlamento e torna-se mais popular que antes. Elizabeth tentava não acreditar que o povo realmente estava se importando tanto assim com a princesa.
A mensagem não foi captada com velocidade por Sua Majestade. Ou talvez até tenha sido, mas as instituições a levaram a mascarar essa idéia. Temos então o conflito do filme entre Elizabeth e Blair. Ele aparentemente tentava ajudar a monarquia enquanto ganhava o bônus de se mostrar de acordo com os desejos do povo.
Provavelmente esse é o ponto mais interessante do filme, pois a imagem que temos da rainha é de uma pessoa forte, decidida e que passa por cima de todos os obstáculos sem maiores problemas. Na produção, ela é mostrada então como uma pessoa normal, que tem de resolver problemas levando em consideração desde o histórico secular da monarquia até as ânsias do povo.
Me lembro bem que naquele dia a notícia foi dada com ênfase até do outro lado do oceano, no Brasil. Salvo engano, havia um jogo de futebol na Globo e Galvão Bueno (veja só) anunciou, quase com lágrimas nos olhos, a morte de Diana. Ela sempre tinha sido um fenômeno midiático e agora tornava-se praticamente uma figura santa.