
A tal da décima-quinta peça de Fernando Bonassi (e primeira dele na posição de diretor) não é exatamente o que podemos chamar de teatro. Existem lá sim vários elementos teatrais: atores, uma espalhafatosa e bela cenografia, iluminação primorosa, um teatro super bem-equipado e existe uma platéia lotada – embora essa também não seja exatamente uma platéia ideal, mas que mesmo assim continua sendo uma platéia. Apesar de ter tudo isso, falta o mínimo que se espera para que o teatro seja considerado teatro: dramaturgia. Nesse ponto, Mário Bortolotto fez um comentário em seu blog (
Atire no Dramaturgo) que merece ser citado:
(...) Não vou assistir “Centro Nervoso” do Bonassi porque não considero o que ele escreve como “Dramaturgia” embora muitos críticos achem o máximo. E eu não tenho nada pessoal contra o Bonassi, mas acho que aquilo lá é lista de compras. "(...)Vende-se um grito ajustado. Um grito pacato. Vende-se um grito fedido, humilhado e jogado de lado, como um cachorro fodido é chutado. Trata-se de um grito atávico, hermético extático. Um grito patético, dramático, político e poético (...)". É mesmo, é? Até onde vai isso? Eu é que não vou saber porque não vou lá ver isso. (...)
Não é sempre que eu concordo com o que Bortolotto diz, mas aqui ele tem toda a razão. Aquilo ali é qualquer coisa, menos dramaturgia. São simplesmente quatro atores declamando textos de Bonassi. Nem monólogos são, pois a maioria dos textos nem mesmo têm personagens, a não ser que o único personagem em questão seja o próprio Bonassi. Alguns textos até são interessantes, mas na forma de texto, nunca na de teatro.
Mas a idéia de fazer o programa da peça no formato de um livrinho com o texto na íntegra é muito boa, muito boa mesmo. Eu que faço teatro e vejo muitas peças, adoraria que todo espetáculo que eu visse tivesse a mesma iniciativa. No caso específico da peça de Bonassi, o que eu gostaria mesmo era que esse livrinho trouxesse um texto verdadeiramente teatral...