o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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domingo, 7 de janeiro de 2007
Sobre pentecostais e neoclássicos

A Folha de S. Paulo de hoje publicou uma matéria interessante em que entrevistaram 17 arquitetos e lhes perguntaram quais os edifícios mais feios da cidade. Já cheguei a pensar nisso algumas vezes, até mesmo a comentar em mesas de bar, mas quando as pessoas começam a criticar o centro antigo de São Paulo e a elogiar os edifícios da Vila Nova Conceição, eu sempre acho melhor mudar de assunto para não acabarem as amizades.

A obra mais criticada na matéria é a Sede Mundial da Igreja Pentecostal Deus é Amor, próxima à Radial Leste. Sim, concordo que este edifício tem chances gigantescas de ser a maior aberração arquitetônica da cidade. Mas não sei por que, mas para mim aquele faraonismo todo está mais para cenografia do que para arquitetura, de tão surreal que é.

Mas comparativamente, o que foi mais criticado não foi o templo, mas sim o neoclassicismo que insiste em dominar os edifícios de alto padrão da cidade. A melhor definição desta praga é a que Ricardo Ohtake dá para o Edifício Villa Europa: “(...) mas existe ainda a questão da ignorância e da caipirice que é imitar os estilos passados, construídos em outra realidade.” Ainda valem a pena os comentários que os arquitetos Francisco Fanucci e Ademir Pereira dos Santos fazem a respeito da Daslu: “Mostra como a elite paulistana consome arquitetura de péssima qualidade” e “Conseguiu sintetizar o extremo mau gosto que pauta a especulação e o consumismo imobiliário e representá-los como em nenhum outro caso.” Falaram tudo, e sem meias palavras, neoclássicos são uma bosta.

Alguns pontos turísticos também foram citados, como o Memorial da América Latina, de Oscar Niemeyer e o Edifício Martinelli. Quanto ao Memorial, não há dúvidas de que Niemeyer foi infeliz no projeto do gigantesco elefante branco. E sobre o Martinelli eu realmente não sei opinar pois estou muito acostumado com o primeiro arranha-céus de São Paulo, cravado na rua São Bento, no centro.

Mas com base nesta matéria, comecei a pensar em algumas das construções que acho mais feias na cidade. Sem dúvida, uma delas é o Instituto Tomie Ohtake, do arquiteto Ruy Othake. Ou ainda o vibrador gigante que está sendo construído na Paulista, do mesmo Ruy Ohtake... Mas então caí na real de que esse zoológico arquitetônico é um fruto não só da desordem, mas também da variedade e da diversidade hiperbólica com que se desenvolve esta cidade monumental. É isso tudo simplesmente inevitável.

Acho que o mais prudente não é criticar as obras individualmente, mas sim cuidar para que o mau-gosto não destrua o que a cidade tem de mais belo. Neoclássico pra quem gosta de neoclássico, eles que construam suas réplicas do partenon e vivam felizes para sempre, isso é problema deles. Eu vou simplesmente olhar para o outro lado e pronto.

Prefiro me preocupar com a feiura da Marginal Tietê e suas pontes ou pensar em como seria São Paulo sem o Minhocão, que simplesmente devastou o centro antigo da cidade. Ou ainda torcer para que o shopping do Silvio Santos no fim das contas acabe trazendo mais benefícios do que perdas ao bairro tradicional do Bixiga... Isso tudo é muito mais importante do que os templos bregas dos neoclássicos e dos pentecostais.

Maurício Alcântara | 21:31

Comentários:
neoclássicos são asquerosos. todos deveriam ser bombardeados numa guerra ao mau-gosto arquitetônico. de quebra, seqüestrem adolfo lindenbergh, culpado por 80% dos prédios desse estilo na cidade e inventor do "parque cidade jardim" – uma espécie de condomínio fechado às margens do rio pinheiros que conta com SEIS neoclássicos lado a lado e um shopping de alto luxo.

as marginais são asquerosas. tenho vergonha de passar por elas e ver o que fazem com são paulo desde muito tempo atrás.

quanto ao minhocão, eu era partidário de se fazer um estudo sobre o impacto de sua demolição, mas agora resolvi que deve ser destruído custe o que custar. a região tem tudo para se revitalizar e se tornar um novo pólo comercial e residencial, pertinho de higienópolis.

bairro que, aliás, nos brinda com alguns dos prédios mais bonitos da cidade. numa caminhada pela avenida higienópolis podemos ver todas aquelas coisas bonitas dos anos 50... recomendo.
Blogger Elder Costa | 07 janeiro, 2007 23:15  
Sim, eu ia falar dos prédios modernistas de Higienópolis no texto, que é uma das pequenas sutiliezas que mais gosto da arquitetura da cidade. Mas ia fugir demais da temática.

Quanto aos neoclássicos: eles têm os prédios que merecem. Assim pelo menos essa escória de gente fica longe dos prédios bacanas...
Blogger Maurício Alcântara | 07 janeiro, 2007 23:23  
errata: me empolguei e falei que o parque cidade jardim é do lindenberg... não. é da incorporadora jhsf, que construiu o shopping santa cruz. isso já diz o suficiente.
Blogger Elder Costa | 08 janeiro, 2007 00:54  
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