o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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domingo, 6 de maio de 2007
Noites Brancas
É bonito demais de se ver o centro de São Paulo inteirinho tomado por uma multidão de pessoas que saíram de suas casas para virar a noite com shows, espetáculos de dança, espetáculos teatrais e circenses, em visitas a museus, ou simplesmente caminhando com segurança pelas ruas do centro histórico no meio da madrugada. Ver as sacadas do teatro Municipal lotadas de gente observando a vista da praça Ramos de Azevedo, muitas destas pessoas que certamente jamais haviam pisado no pomposo teatro antes, é uma cena que me deixou um tanto emocionado.

Fico pensando bastante em como uma cidade cosmopolita e hiperativa como São Paulo é carente de atividades culturais neste formato. Ao contrário do que se pensa, não são políticas de revitalização excludentes e questionáveis que vão trazer de volta a vida ao centro da cidade, mas sim a presença das pessoas. As pessoas não dizem que o centro é perigoso e inóspito? Nesta madrugada não estava, porque as pessoas estavam presentes e, inconscientemente, tomavam conta do patrimônio público, simplesmente por estarem ali. Logicamente a presença da polícia é necessária, mas um evento como essa Virada Cultural me faz pensar bastante (novamente, sempre penso nisso) no quanto os moradores de São Paulo têm carência de se sentirem donos da cidade. E saber que é a cultura o gerador potencial deste movimento é mais emocionante ainda.

Logicamente este evento da prefeitura tinha dimensões grandiosas, e por isso mobilizou essas multidões tão impressionantes, mas a questão é: será que eventos similares, em menores proporções, não seriam uma forma inteligente de se habituar as pessoas a conhecer e sobretudo USAR a cidade? Sem essa megalomania de um evento de uma única noite, com tudo acontecendo ao mesmo tempo em vários pontos, não seria bacana de se ver as pessoas observando o vale do Anhangabaú da sacada do Municipal em mais noites ao longo do ano. Assim como uma avenida São João, um vale do Anhangabaú ou uma praça da República com mares de gente assistindo a shows, apresentações de dança, teatro ou circo? Tudo, logicamente, com o necessário suporte do Metrô, dos ônibus e dos órgãos de segurança pública.

Programação e diversidade não faltam na cidade para eventos com o esse, e a população ontem mostrou que público também não falta. Em uma metrópole com super e hipermercados, postos de gasolina, vídeo-locadoras, restaurantes e pet shops que funcionam 24 horas por dia, por quê com as atividades culturais não poderia ser diferente? Alguns cinemas e teatros já perceberam que a madrugada não pertence somente às casas noturnas, mas atraem apenas seus públicos já cativos. Mas isso já é um sintoma de que existe uma avidez por cultura em horários não-comerciais, e o evento desta madrugada nos permite imaginar a possibilidade de nos sentirmos novamente donos do nosso centro histórico e de nossos espaços públicos, e sobretudo a possibilidade de conhecermos uma São Paulo que ignoramos ou de que já nos esquecemos.
Maurício Alcântara | 12:29

Comentários:
A Virada Cultural é sempre linda. O centro é o máximmo, e é ótimo poder estar lá de madrugada - ainda mais tendo transporte para voltar pra casa a qualquer hora da madrugada =).
Beijo
Blogger Mari Marcondes | 12 maio, 2007 11:22  
Vc sabia que a Virada Cultural fez escola? Pois é... a cidade de São Paulo(o Estado?) terá a Virada Esportiva! Duro vai ser lotar o Anhanagabaú para fazer abdominal...
Quer que eu te mande um convite na época? Será em setembro...beijos, Márcia marques
Anonymous Anônimo | 28 agosto, 2007 16:27  
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