o coletivo é, acima de tudo, um compêndio do moderno, da necessidade do consumo e da modernidade absurda.

nós somos contra o laico, o neutro, o morno. por isso, a glória está em nosso altar. a glória é um ícone do paganismo, a glória é polarizante, a glória é quente. a glória é uma nova tendência global.

em tempos em que o minimalismo está em voga, trazemos um pouco de vazio para a comunidade que carece de um pouco de abstracionismo barato.

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domingo, 15 de junho de 2008
Meu objetivo: um post por mês
A Revista da Folha tem publicado todos os domingos uma série de reportagens intitulada "O Mais Pedido" com curiosidades sobre os pratos clássicos dos restaurantes paulistanos. Até aí, nada demais. É até interessante. O problema é que das reportagens já publicadas, metade vem com um um parágrafo onde se diz quem são os famosos apreciadores das iguarias.
1. Canard à la Dr. Ricardo do La Brasserie Erick Jacquin (27/04)

"Quem se deleita com as aves são clientes exigentes como o apresentador Jô Soares."

2. Bolinho de arroz do Ritz (25/05)

"O bolinho é o preferido de muitos de seus freqüentadores, que incluem descolados e celebridades como Regina Casé, Paulo Borges e Mariana Weickert."

3. Polpettone à parmigiana com mussarela do Jardim de Napoli (01/06)

"É em busca do polpettone que empresários, estrelas do futebol, políticos e artistas, como as atrizes Ana Paula Arósio e Cláudia Raia, batem cartão na cantina. Na semana passada, o governador José Serra foi saborear o prato. O ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, que mora nas redondezas, não dispensa o polpettone. E Marta Suplicy, ministra do Turismo, também está sempre por lá."

4. Bacalhau a lagareiro do Antiquarius (15/06)

"A lista inclui gente famosa como o cantor Roberto Carlos, a apresentadora Hebe Camargo e a socialite Lucilia Diniz."
Tipassim... Foda-se.
Elder Costa | 13:08  | 2 comentários

sexta-feira, 23 de maio de 2008
Piratas do Tietê
O Domo do Milênio, em Londres, foi o grande erro de Tony Blair. Parecia uma coisa bacana fazer uma espécie de coliseu moderno na periferia da cidade, mas iam usar pra quê? Aconteceu que o Domo virou um elefante branco e foi vendido (ou dado em comodato, sei lá) pra O2, uma operadora de telefonia na Inglaterra. Virou The O2 e transformou-se num espaço para mostras e restaurantes e palco de grandes eventos esportivos ou musicais.

Por exemplo, Daniella Mercury.

A autora de "Alegria agora" irá se apresentar na capital britânica no dia 6 de Junho, no espaço chamado "indigO2", que é tipo um Baretto. Mentira, é tipo um palco menor dentro da mega tenda que é The O2. Por 40 libras você verá Daniella e o Balé Mulato. Mas porque estou falando disso mesmo? Ah, sim, o Domo. Fica meio longe do centro de Londres, mas dá pra chegar lá de metrô, carro, táxi, ônibus, DLR (que é tipo um monotrilho) e trem. Ou, a minha preferência, de barco.

O Thames Clipper é um serviço de barcos pelo Tâmisa oferecido por uma empresa privada que pode levar os espectadores ao O2. O Thames Clipper também administra o serviço "Tate to Tate", que conecta a Tate Modern com a Tate Britain via rio. Mas voltando ao show da Daniella, convenhamos que é muito mais chique pegar um barco na London Bridge e descer seis pontos depois na O2. Se você for mais chique ainda, paga mais caro, embarca no O2 Express na Waterloo Bridge e vai direto -- bebericando champanhe. De 2,50 a 18 libras, é tudo uma questão de escolha. Aposto que o Balé Cafuzo (ou Mulato, sei lá) vai desse jeito.

Isso me faz pensar que falta algo assim em São Paulo. Alguém poderia, por exemplo, pegar um barco no viaduto Imigrante Nordestino, o mais ao leste da Marginal Tietê, e descer uma meia hora depois na avenida Interlagos, no ponto mais ao sul da Marginal Pinheiros, pra ver a Fórmula 1. (na verdade, ali nem é mais marginal, mas deu pra entender a idéia)

Imagina que beleza deixar seu carro estacionado na USP, ir num shuttle exclusivo até o pier Cidade Universitária e entrar num barco-bar que o levará até a ponte Transamérica. Lá você desceria e entraria em outro shuttle exclusivo que o deixaria na porta do Teatro Alfa. Imagine as mulheres com chapéus enormes... Depois jantariam no restaurante no topo da ponte estaiada. Seria um retorno à belle époque paulistana. Poderia até ser criado um circuito do jet-set, com paradas na Hebraica, no Jóquei e na Daslu, além do já citado Alfa.

Mas somos uma cidade de muitos contrastes. Não podemos apenas pensar na alta sociedade e, por isso, proponho a criação de linhas como a Expresso Morumbi. Ela servirá tanto para os trabalhadores se deslocarem até a Berrini, quanto para os torcedores chegarem ao estádio homônimo em dias de jogo. Os corinthianos adorariam poder embarcar na ponte do Tatuapé e descer com tranqüilidade e conforto minutos depois na ponte do Morumbi. O problema seria possíveis brigas entre torcidas. Não gostaria de acordar na quinta-feira e ler na capa da Folha: "Embate entre torcidas afunda barco com são-paulinos nas imediações da ponte Bernardo Goldfarb".
Elder Costa | 13:38  | 0 comentários

domingo, 27 de abril de 2008
Virada Cultural - v. 4
O fato é que eu, num acesso de infantilidade, achei que conseguiria ficar em casa estudando para a prova que terei nesta semana. Com isso, deixei de sair ontem à noite para ver as atrações da Virada Cultural. Obviamente não estudei. Certo de que não poderia deixar de ver uma coisinha que fosse na festa deste ano, deixei minha casa à tarde com destino ao Teatro Municipal. Lá chegando, veria o show de Fabiana Cozza, uma cantora sobre a qual uma amiga não pára de comentar. Meus colegas chegaram todos atrasados e, bem, havia uma fila gigante em volta do Teatro — não para ver Fabiana, mas sim Jair Rodrigues. Ok, tem show dela no Auditório Ibirapuera no começo do mês.

Seguimos então para a av. São João. Queríamos ver Jorge Ben e seus pê-pê-re-pês-taj-mahal infindáveis e inegavelmente dançantes. No caminho, centenas de pessoas andando pelas ruas do centro e a sensação de satisfação que me acontece todos os anos durante esse evento. Cheguei a comentar que agora me lembrava a Fête de la Musique que participei em Genebra… Rapidamente fui enxotado e continuamos caminhando naquele calor que era maximizado pelo asfalto e pelos prédios.

Ao atingirmos o ponto histórico de São Paulo, a esquina com a Ipiranga, fomos enfeitiçados pelo brilho do Bar Brahma. Tentamos seguir em frente para ver Jorge mais de perto, só que o chopp gelado foi mais forte. Acabamos ficando nas mesinhas da área externa do bar ouvindo samba rock, dançando sem sair das cadeiras e aproveitando o início de noite na cidade.
Elder Costa | 23:41  | 2 comentários

domingo, 30 de março de 2008
Da série "Embalagens que nos tiram o sono"
Elder Costa | 15:22  | 0 comentários

sábado, 29 de março de 2008
O cachorrão de Boston
Ou "Boston Big Dog".



Melhor que isso só a paródia feita por uma agência.



Vi no Tiago Dória.
Elder Costa | 18:11  | 0 comentários

Coletivo Romance
Elder Costa | 00:20  | 0 comentários

sábado, 22 de março de 2008
BR-3 fazendo escola

Algumas das sensações mais estranhas que já senti aconteceram em "BR-3", num barco navegando pelo grande esgoto que corta minha cidade. Meses e meses mais tarde, repeti a experiência na Baía da Guanabara, quando a trupe reencenou a peça dentro do festival RioCenaContemporânea.

A piadinha "o Vertigem vai encenar 'BR-3' no RioCena" ficou mais verdadeira depois que li uma reportagem sobre o Tietê (ou quase isso) no Valor Econômico de quinta-feira.

Que cena foi aquela? Um grupo de gente sobre o convés de um barco, navegando em pleno rio Tietê, erguendo os braços e fazendo "ola" para motoristas de carros, ônibus e caminhões nas marginais travadas, numa manhã cinzenta em São Paulo, na altura do Cebolão? E os motoristas dos carros, ônibus e caminhões, todos devidamente engarrafados, respondendo com acenos e buzinas aos amalucados que navegavam no trecho urbano mais degradado do rio, tomando Prosecco e escutando um saxofonista como se tudo aquilo fosse muito natural? Pois aconteceu no sábado passado e espantou até os urubus que espreitavam às margens.

Assim começa o texto "Bem-vindo ao Tietê", da Daniela Chiaretti, sobre uma estranha visita de um grupo de arquitetos e amigos de arquitetos ao rio. "Estou me sentindo em Paris", arrisca Ana Mantovani, professora de história da arte. Realmente o Tietê é nosso Sena.

paris.jpg
Ceci n'est pas une pipe.

Segundo o ARQ!BACANA, foi...

Uma oportunidade única de se aproximar de São Paulo, através de uma experiência absolutamente inovadora e diferente, ao som do sax alto do músico Guilherme Figueiroa, com prosecco no “convés” do Almirante do Lago, em plena calha do Tietê.

Alguém me diz que isso foi proposital, por favor.

Depois de "BR-3" veio o desfile da Cavaleira na São Paulo Fashion Week e, agora, essa visitinha de membros da classe pensante. Ainda neste mês Eduardo Srur, um artista plástico que sempre surge com intervenções bacanas, vai jogar na água garrafas pet enormes. Tenho a impressão que desde a peça do Vertigem tem havido uma atenção maior ao rio, se é que posso dizer assim. Ou talvez seja apenas uma curiosidade insólita.

Ficou interessado? No site você encontra informações sobre as visitas (Tietê: 50 reais, com direito ao prosecco e ao sax) que vão acontecer ou já aconteceram. Recomendo o passeio pelos Artachos.

Elder Costa | 00:03  | 0 comentários

domingo, 16 de março de 2008
Conexões

"Onde os Fracos Não Têm Vez" é um dos poucos títulos que, traduzidos, são tão bons quanto os originais. No caso, "No Country For Old Men". Tanto um quanto o outro faz sentido e pode ser alvo de discussões infinitas. Ótimo Oscar para os irmãos Coen. E Daniel Day-Lewis em "Sangue Negro"? Inexplicável. Assim como a trilha sonora e o próprio filme do Paul Thomas Anderson, queridinhos dos descolados desde, pelo menos, "Magnólia".

Quem ganhou Oscar também foi "Juno", levando o prêmio de melhor roteiro para o texto de Brook Busey, mais conhecida por seu nome de guerra "Diablo Cody". Não sei, mas ninguém tira da minha cabeça que ela é uma espécie de Fernanda Young born in Chicago. O verbete sobre a escritora brasileira na Wikipédia começa de maneira sensacional.

"Sua formação literária foi em parte constituída durante a travessia da Baía de Guanabara em barcas ou ônibus. Dedicou-se aos livros na busca de aperfeiçoamento, influências e distração. Autores como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Shakespeare, Gerard de Nerval, Thomas Mann, Balzac, Oscar Wilde, Malcolm Lowry, William Faulkner, Milan Kundera, V.S. Naipaul, Truman Capote, J.D. Salinger, Jorge Luis Borges, Cabreira Infante, José Saramago, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Machado de Assis, Márcia Denser, T.S. Eliot, Paul Éluard, Charles Baudelaire, Fernando Pessoa e Sylvia Plath misturam-se, com naturalidade, a Harold Robbins, Sidney Sheldon, Cassandra Rios e V.C. Andrews. A filosofia também sempre foi seu interesse e, dentre seus favoritos estão Schopenhauer, Nietzsche e Cioran."

Acho bacana como ela conseguiu ler tanta coisa numa balsa sem ao menos enjoar. Sem trocadilhos. Outro grande personagem da brasilidade que surgiu na balsa Rio - Niterói foi Senor Abravanel. Assim, fecha-se a trinca Diablo Cody - Fernanda Young - Sílvio Santos.

trinca.jpg

E "Juno", dizem, é o "Little Miss Sunshine" deste ano. Ou "Sideways". Enquanto o primeiro fala sobre uma garotinha em busca da felicidade, o segundo fala de um homem quase senil em busca da felicidade. Grosso modo, a recente produção fala de uma jovem em busca da felicidade. Pronto. Encontramos as conexões entre as três fitas indie.

Como é um filme pop alternativo, conta com um desfile de personagens freak, desde a Juno do título com seu namorado meio andrógino / meio tímido, até a madrasta que gosta de cachorros e o yuppie legal que toca guitarra. Fofura elevada à n-ésima potência, não? Claro, a trilha sonora também é um destaque positivo. Ela vem com "Sea of Love", versão da Cat Power pra uma música de Phil Phillips e George Khoury, o que me faz mudar de assunto no próximo parágrafo.

Eu adoro a Cat Power. Digo, a Chan Marshall. Bonita, problemática e com uma voz rouca, poderia muito bem ser um personagem almodóvariano, mas não. Ela decidiu, drogar-se, beber, cantar e ganhar dinheiro com isso. Seu último CD, "Jukebox", é o segundo de covers em sua carreira – "Sea of Love", remake da música de 1959 e trilha de Juno, está em "The Covers Record". Mas não são simples regravações de sucessos de outras bandas. Marshall destrói e reconstrói as músicas de forma a torná-las quase irreconhecíveis. "New York, New York", o tema de Frank Sinatra para o filme homônimo, é uma coisa, assim, divertida.


Elder Costa | 23:26  | 1 comentários

domingo, 9 de março de 2008
Te amo, espanhola
Levando em consideração os últimos acontecimentos no aeroporto Madrid - Barajas (a saber, a deportação de estudantes brasileiros brancos de classe média), decreto o boicote aos produtos de España, a saber:
  • Telefónica
  • Estradas com concessão de empresas espanholas
  • Azeite espanhol
  • Telefónica
  • Santander
  • Jamon crudo
  • Escolher o Vega no Street Fighter
  • Roupas da Zara
  • Bares de chupitos
  • Bares de pintxos
  • Bares de tapas
  • Hablar castellano
  • Torrone
  • Antoni Gaudí
  • Pablo Picasso
  • Júlio Iglesias
  • Fernando Alonso
  • Pedro Almodóvar
Apenas Penélope Cruz fica liberada do boicote.

Cumpra-se.
Elder Costa | 11:44  | 3 comentários

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Da série "Embalagens que nos tiram o sono"
Maurício Alcântara | 00:30  | 0 comentários

domingo, 17 de fevereiro de 2008
Seis trailers
Tema: música.



Londres, Inglaterra.



Manchester, Inglaterra.



Duluth, EUA.



Aberdeen, EUA.



Londres, Inglaterra.



McComb, EUA.
Elder Costa | 21:42  | 0 comentários

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Sacoleiros
Viajar no Carnaval para Buenos Aires, andar pela calle Florida, pelas lojinhas de Palermo e, claro, pelas lojas Duty Free dos aeroportos da Argentina e do Brasil, fica tudo muito claro: todo brasileiro é, antes de tudo, um sacoleiro. A classe média que o diga - eu, inclusive.

Pense nisso. E quando for passar num free-shop, não deixe de me avisar - tenho umas encomendinhas pra fazer.
Maurício Alcântara | 00:42  | 0 comentários

domingo, 13 de janeiro de 2008
Cinco Filmes
Pra continuar a série sobre cinema, mais cinco filmes que vi.

"Medos Privados em Lugares Públicos", de Alain Resnais, é uma espécie de "Closer" dans Paris e... Espera. Acabei de ler o seguinte na Contracampo:

Existe a tentação, é comum até, de só se olhar para o enredo e menos para o enfoque, e assim considerar o filme como uma espécie de Closer acrescido de mais dois personagens, incrivelmente melhor atuado, mais elegante (também, não era difícil) e com personagens em idade mais velha.

Saco. Se caí nessa tentação, não posso mais falar sobre esse filme. Leia os comentários daquela revista e ignore os meus. Não tenho mais moral para falar dos outros, mas vou dizer rapidamente o que achei de cada um.

"Mutum", de Sandra Kogut, é bom.

"Meu Nome Não é Johnny", de Mauro Lima, é bom.

"Em Paris", de Christophe Honoré, é bom.

"Xuxa em Sonho de Menina", de Rudi Lagemann, eu não vi.

Elder Costa | 23:35  | 1 comentários

Livro Legal

Tudo bem que não tenho visto TV, mas o Gugu falando de livros em seu programa "Domingo Legal" é uma novidade incrível para mim. O quadro é criativamente chamado de "Livro Legal" e hoje Augusto Liberato mostrava as maravilhas de "Cinco Minutos", obra de José de Alencar escrita em 1856. Favor não confundir com "Onze Minutos", cria do mago Paolo Coniglio feita em 2003.

Enquanto as benesses da leitura eram divulgadas ao grande público, cópias do livro pocket editado pela L&PM eram distribuídas entre as colegas de auditório, que não demonstravam tanto entusiasmo ao serem presenteadas com o texto do mesmo autor de "O Guarani" -- este sim, clássico da Fuvest.

Sinto que alguém se inspirou na apresentadora de TV mais bem sucedida do mundo, Oprah Winfrey. Ela mantém desde 1996 seu Oprah's Book Club com imenso sucesso de público e crítica. Apenas em 2002 houve uma pausa nas dicas, quando ela alegou não estar com tempo para ler muito e, portanto, não podendo indicar boas opções para seus espectadores. "It has become harder and harder to find books on a monthly basis that I feel absolutely compelled to share", declarou a moça. Por enquanto, Gugu não tem o mesmo poder de persuasão da apresentadora, que acabou por cunhar o "efeito Oprah" graças à sua capacidade de elevar títulos obscuros ao panteão dos bestsellers.

Você não ouviu o que Gugu disse, mas acredita no bom-gosto dele e quer ler o livro comentado neste domingo? Pode comprar a versão da Martin Claret, que vem com "Iracema", por dez reais. No site da Oprah (que é uma grande comunidade virtual, como dita a moda) há fóruns de discussão sobre os títulos indicados. Espero que façam o mesmo aqui e espero também o dia em que ele falará sobre "Ana Karenina", de Tolstói, como fez sua colega americana.

Elder Costa | 22:13  | 0 comentários

Império dos Sonhos
Mais de um ano após a estréia de "Império dos Sonhos" nos Estados Unidos, fui hoje ao cinema ver esse que é o mais novo filme de David Lynch e que trata da história de "uma mulher em perigo". Li muito sobre a produção e fiquei sabendo por antecedência que, se há roteiro, é um fiapinho quase invisível, e que esse é o filme mais estranho já feito pelo diretor. Algo que me marcou nessas leituras foi a primeira frase da crítica de Manohla Dargis no New York Times: "No cinema, há poucos lugares mais medonhos para se estar do que na cabeça de David Lynch."

É um pesadelo constante, essa cabeça. Fui sendo levado pela história (hein?) criada por ela e, em dado momento, não sabia mais o que era o filme, o que era o filme dentro do filme, o que era pensamento e o que era a realidade. Contei as pessoas que saíram antes do fim e foram umas quinze. Imaginei que mais gente desistiria do estranho laboratório lynchiano.

Foi a prova que as imagens valem mais que as palavras. Um filme sem estrutura narrativa linear e aparentemente sem nexo, onde você nunca sabe o que está olhando, onde existem umas n camadas que se misturam e se tocam ao mesmo tempo que se mantém distantes. De difícil digestão? Caso você tente entender algo de forma padrão, sim. Minha dica é se deixar viajar, ficar sem amarras. Chegue às suas próprias conclusões, que fatalmente serão diferentes das dos seus vizinhos de sala. Veja o filme como uma experiência, o que ele realmente é.

Elder Costa | 00:41  | 0 comentários

sábado, 12 de janeiro de 2008
Na fila
- Ah, parece que esse filme é bom, né?
- É... Tem várias estrelinhas.
Entreouvido na fila do cinema.
Elder Costa | 01:40  | 0 comentários

sábado, 5 de janeiro de 2008
Três filmes
Os últimos três filmes aos quais assisti foram os seguintes...

"A Vida dos Outros", do alemão Florian Henckel, mostra a vida de um escritor da Alemanha Oriental sendo acompanhada dia e noite pelo governo socialista. Um dia decidem que aquele homem, cujos livros fazem sucesso no lado capitalista, poderia ser uma ameaça. Desenrola-se um melodrama onde os maus podem ter coração, tudo sem muita discussão. Uma história ótima que vai sendo esvaziada no decorrer do filme, que pouco a pouco se torna um novelão.

"A Culpa é do Fidel", da grega Julie Gavras, é a primeira experiência ficcional dessa documentarista filha do conhecido diretor Costa-Gavras. Nela, um advogado espanhol radicado em Paris faz uma viagem ao Chile acompanhado de sua mulher numa tentativa de redimir seus pecados. Ele foi embora da Espanha fascista e, depois de um tio ser morto pelo regime de Franco, percebe a covardia de seus atos passados. Acontece que o casal volta revolucionário e sua filha não entende as razões que levaram sua família a se mudar de uma grande casa para um pequeno apartamento e a proibi-la de assistir às aulas de catecismo.

Crianças são crianças e, como tal, são curiosas. Em conversas com sua avó, a menina descobre que os comunistas são barbudos, vermelhos e querem tirar tudo que eles, a burguesia, têm. Já num bate-papo com sua antiga babá fugida de Cuba, ela aprende que a culpa, bem, a culpa é do Fidel, que quer fazer a guerra nuclear. Rapidamente ela junta as peças do quebra-cabeça, vê que aqueles barbudos que passaram a freqüentar seu novo apartamento são comunistas e começa a questionar as atitudes dos pais.

O casal de irmãos é a origem das piadinhas e situações engraçadas que permeiam o filme, como o momento em que o garoto pergunta se o Papai Noel é comunista – já que ele é barbudo e vermelho. A garota, numa noite insone, conversa com os amigos revolucionários da família e ensina a eles que, no capitalismo, o importante é ter lucro. Seria ótimo se não tivesse me lembrado toda hora de outros filmes onde questões políticas são vistas pelos olhos de uma criança, como "Machuca", de Andrés Wood. Esse, aliás, que trata de um tema muito próximo ao de Julie Gavras: a ditadura pós-Allende no Chile.

"Jogo de Cena", do brasileiro Eduardo Coutinho, deveria ser visto por todos atores e aspirantes. Mas não só. O documentarista fez anúncios em jornais e escalou mulheres para contarem episódios interessantes de suas vidas. A premissa é simples, mas o resultado é sensacional. Além das mulheres anônimas, Coutinho convocou atrizes conhecidas ou não para encenarem as mesmas histórias. No meio disso tudo, as atrizes também contaram coisas reais e assim a confusão se formou.

As histórias fortes tratam de gravidez, morte e separação. Algumas são engraçadas, outras são tristes e outras até misturam tudo. Uma das atrizes diz que, ao fazer um personagem fictício, você pode atingir um nível medíocre e tudo estará bem, mas ao fazer um personagem real as coisas se tornam muito mais difíceis. Até que ponto ela está imitando ou recriando aquela pessoa? Outra diz que o choro é algo importante na TV e que pessoas de verdade tentam escondê-lo a todo custo, como uma forma de demonstrar força. É difícil saber quem está falando a verdade ou quem a está apenas encenando.

Elder Costa | 18:45  | 3 comentários

Interessante
A praia de Copacabana será, a partir de junho, uma zona com conexão sem fio (wireless) gratuita. Parceria do governo com a Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia) da UFRJ pretende tornar o acesso à internet em todo o Estado independente de fios, como em San Francisco, nos EUA, por exemplo. (Folha)
Quem vai levar um notebook pra praia? Quem vai acessar a internet numa praia no Brasil? São questões que me intrigam neste momento.
Elder Costa | 13:37  | 0 comentários

terça-feira, 1 de janeiro de 2008
"como eo poso faser o meo orkut"
Uma rápida análise nas listas que o Google Analytics nos dá leva a várias conclusões.

No ano de 2007, a busca do Google que mais trouxe visitantes para este pequeno canto da internet foi "coletivo". Ok. Em seguida vêm as expressões "como bolar um baseado" e "como bolar um" que, junto com outras três variações sobre o mesmo tema, são metade dos dez termos de busca que mais trouxeram gente.


Se o objetivo é saber quem gostou do blog, ficamos sabendo que uma pessoa procurava por "locadoras de filmes 24 horas" e visitou várias páginas aqui. Realmente temos muito conteúdo nessa seara. Já o ilustre leitor que ficou mais tempo foi alguém que procurou por "últimos dias - gus van sant" e gastou boa parte de sua vida lendo o post sobre o filme. Talvez essa pessoa tenha tido vontade de agir como o próprio Gus e fez as coisas beeeeeem lentamente. O teatro domina as buscas no Coletivo, mas divide espaço com:
  • "video de como usar as bolinhas tailandesas",
  • "videos de desvirginamento",
  • "mensagens edificantes para as gordinhas",
  • "sandy drogada",
  • "piadas engraçadas e ingênuas",
  • "adoro observar menininhas no orkut",
  • "agosto -janeiro -fevereiro -março -abril -maio -junho -julho",
  • "apresentacao em pawer point com tema do filme cidade dos anjos",
  • "baixar cd zezé di camargo & luciano 1997 link sem ser rapidshare",
  • "celebridades brasileiros nus como antonio fagundes".
Meta para 2008: ensinar para as pessoas que o Google é deus, mas não sabe responder todas nossas dúvidas.
Elder Costa | 12:22  | 1 comentários

domingo, 30 de dezembro de 2007
Último livro comprado em 2007

Eu havia prometido não comprar mais livros, depois da farra que eu fiz na feira do livro da USP. Mas então, em um passeio por um supermercado, apareceu este que chamou minha atenção pelo título. Então vi o preço: De R$ 1,36 por R$ 0,89. Claro que comprei: tinha certeza de que riria muito lendo aquilo.

Ótima aquisição. O livro, em uma teoria quase fascista, explica o porquê de casais famosos se darem bem. Esqueça afinidades, astrologia ou amarrações. Os famosos se amam porque são FISICAMENTE parecidos. Revolucionário, eu diria. Desde então, agradeço todos os dias à Caras por publicar tal estudo tão importante no Brasil.
Maurício Alcântara | 20:56  | 1 comentários

Championship Vinyl
Não adianta. Todo mundo diz que listas não servem pra nada, que listas não são legais, que listas são incríveis, que listas... Bem, é um vício. Rob Fleming que o diga. Aqui vai minha lista dos cinco melhores CDs do ano, sem ordem.
  • In Rainbows, Radiohead
  • Sound of Silver, LCD Soundsystem
  • Chromophobia, Gui Boratto
  • Favourite Worst Nightmare, Arctic Monkeys
  • White Chalk, PJ Harvey
  • High School Musical, V.A.
Foram seis? Ah, então tira o último.
Elder Costa | 15:13  | 0 comentários

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
It's the end of the world as we know it

Este dia é bastante especial pois em cinco anos nada disso existirá.

O burburinho na internet já faz barulho e ele só vai aumentar até 21 de dezembro de 2012, o dia em que o mundo vai acabar. Isso tudo segundo os maias, claro. Não, não os maias do Eça ou da mini-série. Esses maias dos quais eu falo são aqueles caras inteligentes, mexicanos, que viveram na América antes dos espanhóis chegarem destruindo tudo. Eles eram demais. Há séculos criaram um sistema de calendário que tinha a data certa pro apocalipse, mesmo sem tomar conhecimento da existência do juízo final – que até então era um fenômeno restrito aos cristãos.

Esses caras tinham um sistema de ciclos no calendário, com ciclos pequenos e grandes, mais ou menos como a gente e o calendário gregoriano: todo ano tem doze meses, toda semana tem sete dias, todo mês começa no dia primeiro etc. O maior dos ciclos maias duraria uns treze bactuns que, no sistema de contas deles, é o equivalente a 5125,26 anos. Os cientistas não sabem ao certo, mas é bem provável que o último desses ciclos tenha começado em 11 ou 13 de agosto de 3113 a.C. Agora faça as contas: ele acabará em 21 ou 23 de dezembro de 2012.

Tá, mas e daí? A gente também tem ciclos enormes, tipo um milênio.

O que pega agora é que o ciclo maia não só termina nesse dia, como esse dia é o exato momento em que uma rara conjunção astronômica acontecerá. Essa data marcará o solstício de inverno (no hemisfério norte) num momento em que o Sol estará bem no meio da Via Láctea. Como você sabe, solstícios sempre são místicos e esse é especial pois a tal conjunção só acontece a cada treze mil anos. Tem mais informações aqui e aqui. Essa foi a longa explicação histórico-astronômica. Outros seis motivos pelos quais o mundo vai acabar nessa data são enumerados num fórum, que eu copio agora:

1. O pico de tempestades solares acontecerá em 2012.
2. O maior acelerador de partículas será ligado em 2008, mas fará experimentos em 2012.
3. Segundo a Bíblia, o juízo final realmente acontece em 2012.
4. Há um vulcão adormecido nos EUA e se prevê que volte à ativa em 2012.
5. Segundo físicos de Berkeley, a Terra vai explodir em 2012.
6. Os pólos vão trocar de lugar em 2012.

Particularmente, acredito que se nada disso acontecer seremos surpreendidos pelo surgimento de Hercólobus. Esse misterioso planeta vermelho foi um sucesso editorial nas propagandas do metrô paulistano e vem à Terra a cada 25698 anos, tendo sido o culpado pelo afundamento de Atlântida em 9500 a.C. Isso significa que ele estará aqui pertinho em 16198. Falta tempo, mas parece que ele está se movendo mais rápido que o normal ("a velocidades espantosas") e a melhor data pra ele aparecer será, na minha opinião leiga, 2012.

Então, gente, esqueçam a Copa do Mundo no Brasil.

Elder Costa | 12:50  | 2 comentários

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Imprensa

Os americanos aparentemente ficaram chateados com o fato da CNN ter dado mais destaque pro caso da gravidez precoce de Jamie Lynn Spears, 16, irmã de Britney, do que para as notícias referentes às eternas guerras travadas pelos Estados Unidos. Enquanto isso, aqui na filial a manchete da Folha Online trata do roubo de dois quadros no Masp enquanto a notícia mais lida é "Mendigo diz estar inseguro ao deixar o programa 'Pânico'". Taí o print pra ninguém negar. O Mendigo deve ter os motivos dele pra ficar inseguro.

E já aviso que se alguém falar mal da pequena Jamie Spears, vai ter choro.



Elder Costa | 19:44  | 0 comentários

terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Primeira promoção Coletivo de Natal!
A promoção foi um sucesso tremendo! A redação ficou abarrotada de cartas e o vencedor é um leitor de Dubai que pediu para não ser identificado... Parabéns!

Shakira - Magia (1991)
Elder Costa | 22:03  | 1 comentários

Manuel de Instruções
Leia este manual atentamente antes de usar a cafeteira e guarde-o para consultas futuras.
Não se engane, o trecho acima foi tirado de um manual de instruções... de um aparador de barba. Não descobri ainda onde coloco o pó de café. Vai ver que é porque funciona com grãos inteiros. No mesmo manual, ele adverte:

O ajuste 1 com o pente encaixado proporciona um 'visual moderno'.
Deve ser esse o segredo das pessoas que aparecem em Caras.
Maurício Alcântara | 00:10  | 0 comentários

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Primeira promoção Coletivo de Natal!
A festa cristã vem chegando e a gente não podia ficar de fora. Neste ano vamos dar um prêmio ao primeiro leitor que descobrir quem é o artista do CD abaixo. Valem comentários, emails, cartas e SMS! O limite é, bom, acho que até a semana que vem. Participe!

Elder Costa | 23:36  | 0 comentários

Não vou negar

Preocupante quando você sonha que é convidado para fazer parte da banca de mestrado de Zezé di Camargo e Luciano. Na verdade, duas bancas isoladas, uma de cada um deles. Pior ainda é quando o mestrado de ambos é na área e na instituição em que pretendo fazer o MEU mestrado, logo mais.
Maurício Alcântara | 02:47  | 2 comentários

terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Receita para observação de autóctones
Um fenômeno muito comum na elite paulistana é o das babás. Como se sabe, é bem difícil criar um filho e que mal tem em poder passar o trabalho para uma simpática moça de branco? Hoje almocei num shopping dessa tal elite. Não vou dizer qual é mas, para facilitar o texto e a compreensão, vamos chamá-lo aqui por um nome indígena que remeta ao glorioso passado de Piratininga: Iguatemi.

Pois bem, estava eu a observar o movimento quando ouvi o choro de um bebê. Encontrei a criança nos braços da babá, enquanto sua mãe comia delicadamente a comida comprada no Viena. Por vezes levantava o olho do prato e sorria pro conjunto babá/bebê. A mesma cena pode ser vista em outros locais com alta concentração de capital.
Elder Costa | 22:35  | 0 comentários

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Times Square, NYC, 15h30

Um casamento e... um urso vermelho?

Ah, é só um casal se aproveitando da ação de marketing dos papéis higiênicos Charmin. Eles instalaram um banheiro público na Times Square patrocinado por, é claro, seu produto.
Elder Costa | 01:04  | 0 comentários

quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Centro
Acho que a gente já escreveu isso aqui várias vezes, mas sempre que vou ao centro de São Paulo tenho vontade de repetir: é muito legal. Não o centro da 25 de Março e adjacências. Aquele é feio, ponto, chega de demagogias. Ontem fui almoçar por ali e, depois, andei um pouco. Visitei a Bovespa e o CCBB, vi ruas limpas, muita gente e nenhuma sensação de insegurança. Tem uma exposição sobre Clarice Lispector na entrada do Banespa que mais parece feita por alunos do primário, mas você pode pegar a fila e subir no mirante. O bar Salve Jorge, na praça Antônio Prado, é uma beleza à parte. Um amigo já viu essa praça em frente à BM&F tomada por mesas e gente bebendo e conversando no fim de uma sexta-feira.

As fotos eu fico devendo pois queimei o filme na máquina. Sim, eu uso filme e consigo queimá-lo.
Elder Costa | 15:15  | 2 comentários